Os personagens do Contestado

Quem foi quem no grupo dos rebeldes e dos políticos

Leonencio Nossa e Celso Júnior

11 de fevereiro de 2012 | 18h00

Rebeldes

Elias de Moraes, um pequeno fazendeiro que adere ao movimento dos "fanáticos". Tinha poder moderador dentro do grupo. Para uns era um "rei que não governava". Era ele quem escolhia os comandantes-gerais do movimento. Foi fuzilado após o conflito.

 

Maria Rosa, adolescente que dizia ter visões e conversar com o monge José Maria, morto em outubro de 1912, em Irani. Maria Rosa dava os conselhos aos homens de combate. Era a comandante-geral até o início da campanha final dos militares. Morreu num ataque militar juntamente com outras mulheres dias antes do massacre de Santa Maria.

 

Francisco Alonso de Souza, o Chiquinho Alonso, tornou-se aos 25 anos comandante-geral dos rebeldes, assumindo o posto de Maria Rosa, com a benção de Elias de Moraes. Foi ele quem ordenou o ataque ao grupo do capitão Matos Costa, em setembro de 1914. A família de Chiquinho participou dos grupos armados de Demétrio Ramos, um coronel veterano da Revolução Federalista. Chiquinho morreu num combate com colonos europeus em Rio das Antas. No comando de 35 homens, ele entrou na colônia e foi recebido a tiros. Outros 12 caboclos também morreram.

 

Adeodato Manoel Ramos tinha 25 anos quando a guerra começou. Virou comandante-geral aos 27, após sobreviver a um combate no Rio das Antas, também com a benção de Elias de Moraes. Adeodato foi o último líder dos rebeldes e o idealizador do reduto de Santa Maria. A sua prisão, no começo de 1916, foi o marco do fim do movimento rebelde. Ele foi morto em 1923 pelo carcereiro da prisão em que estava em Florianópolis numa suposta tentativa de fuga.

 

Políticos

 

Hermes da Fonseca (1855-1923) - Presidente da República, foi pressionado por uma rede de lobistas da Lumber a enviar tropas do Exército para derrotar os rebeldes do Contestado. Ao fim do mandato, em novembro de 1914, o seu plano de combate foi mantido pelo sucessor, Venceslau Brás.

 

Affonso Camargo (1873-1958) - Era vice-presidente do Paraná quando a guerra começou. Acumulou o cargo com o trabalho de advogado e lobista da Lumber. Assumiu o governo do Estado em 1916. Um neto, Affonso Camargo Neto, foi vice-governador em 1964 e 1965. A família é descendente do bandeirante Balthazar Camargo dos Reis, fundador de Curitiba.

 

Vidal Ramos (1866-1954) - Presidente de Santa Catarina nos dois primeiros anos da guerra, Vidal era latifundiário de Lages e patriarca de uma oligarquia que alternou o poder estadual, ao longo do século 20, com o grupo de Hercílio Luz (1860-1924) e da família Konder-Bornhausen, representantes do setor industrial do Vale do Itajaí. Vidal era pai de Nereu Ramos (1888-1958), que assumiu a Presidência da República em 1955. Por capricho do destino, Nereu, então primeiro-vice presidente do Senado, ocupou a Presidência após um movimento comandado pelo marechal Henrique Lott, que, então um jovem tenente, foi ferido em combate no Contestado.

 

Ruy Barbosa (1849-1923) - Advogado e lobista da Lumber. Defendeu ainda o Estado do Paraná no processo do território do Contestado. Durante a guerra, era senador. Disputou e perdeu as eleições presidenciais para Prudente de Morais (1894), Hermes da Fonseca (1910) e Venceslau Brás (1914).

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