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Os homens do presidente

'Barômetro Político Estadão-Ipsos' de novembro traz a primeira avaliação do presidente eleito e dos nomes que podem constituir uma nova ordem política no país

Danilo Cersosimo, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2018 | 10h05

No último dia 28 de outubro, 57.797.847 milhões de brasileiros elegeram Jair Bolsonaro como novo presidente do país. Tal resultado representou 55,14% dos votos válidos, enquanto seu opositor, Fernando Haddad (PT), obteve 44,86%. A vitória, menos dilatada do que o esperado pela campanha vencedora, não dá ao governo Bolsonaro cheque em branco para governar. 

O Pulso Brasil* da Ipsos mostra que as expectativas com relação ao futuro do governo Bolsonaro são positivas ou muito positivas para 54% dos brasileiros; outros 23% consideram-na negativa ou muito negativa. O sentimento com o resultado das eleições é de entusiasmo (10%) ou otimismo (35%) para uma parcela da população e, de preocupação (32%) ou revolta (10%) para outra parcela. Ou seja, 45% da opinião pública nutre um sentimento positivo em relação ao pleito, enquanto outros 42% alimentam percepção negativa. Sobre o futuro do país, 43% dos brasileiros se dizem preocupados, mas caiu significativamente a sensação de revolta (agora em 9%) e aumentou o otimismo (33%). 

+ Ipsos: Sobe a aprovação de Bolsonaro e Moro

Embora o humor do brasileiro esteja em transição e o sentimento de hostilidade arrefecendo, ainda existe uma apreensão considerável sobre as perspectivas do Brasil por parte da opinião pública. A tendência, no entanto, é que nos próximos meses o sentimento de otimismo continue crescente e que seja realmente testado – junto com a popularidade do presidente eleito – ao término dos cem primeiros dias de governo.

Nesta primeira tomada do Barômetro Político Estadão-Ipsos pós-eleições, Bolsonaro goza de 61% de aprovação (era de 44% em outubro e 28% em setembro). Sua desaprovação caiu na mesma proporção e ficou em 30% (era de 52% em outubro e 64% em setembro). Obviamente, tal guinada é fruto do processo eleitoral que o levou à vitória.  

Seu guru econômico e agora superministro, Paulo Guedes, foi avaliado pela primeira vez no Barômetro Político Estadão-Ipsos e aparece com 19% de aprovação. Sergio Moro, outro notável escolhido para o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, desponta com 59% de aprovação, índice muito próximo ao obtido pelo presidente recém-eleito. Será ele uma sombra para 2022?

Já o vice-presidente general Mourão, também avaliado pela primeira vez na pesquisa, obteve significativos 26% de aprovação, contra 37% de desaprovação. A agenda militarista na sociedade brasileira, encarnada por este novo governo e vitoriosa nas urnas (especialmente na eleição para as esferas legislativas), terá em Mourão um porta-voz de peso. Resta saber o tamanho da influência da esfera militar (bastante presente no novo Ministério e nas secretarias de governo) na interlocução com outras frentes e, especialmente, com Guedes. Há fortes sinais de que haverá choque de agendas entre as forças políticas que compõem o governo Bolsonaro.

O agora senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro, aparecem com 26% de aprovação cada um. Carlos Bolsonaro, vereador na cidade do Rio de Janeiro e um dos líderes da campanha presidencial na esfera digital, não foi avaliado. De qualquer modo, o clã Bolsonaro – que terá voz ativa no gabinete presidencial - verá sua imagem impactada na mesma proporção da popularidade do governo ao longo dos próximos meses.

No embalo do sucesso nas urnas, Jair Bolsonaro e sua base de apoio deverão surfar na onda da alta popularidade até pelo menos abril, quando a pressão por reformas estruturais trará os primeiros desgastes políticos a este governo.

Bolsonaro testará sua popularidade na mediação de forças entre as agendas dos nomes notáveis de seu ministério e das bancadas da bíblia, da bala e do boi no Congresso. No meio, há uma oposição ferrenha e um PSL para agraciar.

*Pesquisa realizada entre os dias 3 e 14 de novembro de 2018, através de uma amostra nacional representativa de 1200 entrevistas domiciliares conduzidas por meio de questionário estruturado. 

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