'Os grupos que se uniram no Amazonas se odeiam', diz governador do Estado

Deputado que atua como chefe do Executivo estadual após cassação de titular afirma que a lógica local é da 'conveniência'

Pedro Venceslau, enviado especial, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2017 | 05h00

MANAUS - O deputado estadual David Almeida (PSD) tornou-se governador do Amazonas em maio após ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar o mandato de José Melo (Pros) por compra de votos. Nesta entrevista ao Estado ele diz que a eleição suplementar, que terá o primeiro turno neste domingo, foi ignorada em nível nacional. Sobre o cenário local, Almeida diz que os grupos que se uniram na eleição se "odeiam". O senador Eduardo Braga (PMDB) escolheu como vice Marcelo Ramos (PR), que até recentemente era um feroz adversário. Já o ex-governador Amazonino Mendes (PDT) uniu-se ao ex-rival Arthur Virgilio (PSDB), prefeito de Manaus            

Quase nenhum líder político nacional veio a Manaus para a eleição suplementar ao governo do Estado. Como explica esse descaso?

A eleição foi ignorada em nível nacional. Algumas lideranças gravaram vídeos, mas ninguém veio aqui. Também não vejo uma cobertura nacional da imprensa, só a local. 

A compra de votos, prática que levou ao afastamento do governador do Amazonas e ocasionou a eleição fora de época, ainda existe no Estado?

Acredito que ainda existe. A Polícia Federal, as Forças Armadas e o MPE (Ministério Público Eleitoral) precisam ficar bem atentos. Essa prática está enraizada em todo o Brasil. Aqui no Amazonas ainda tem a questão geográfica. Tem municípios que demora 45 dias para chegar de barco. A presença do Estado é difícil nesses locais. Quando o rio está cheio é uma dificuldade muito grande.           

O Ministério Público Eleitoral investiga se houve uso máquina para ajudar a candidata que o sr. apoia. Teriam ocorrido exonerações de funcionários que não teriam aceitado apoiar Rebecca Garcia (PP).

De forma alguma isso aconteceu. O Estado não trabalhou na campanha dela. No máximo 15% dos funcionários trabalham em favor dela, os demais trabalham para outros candidatos. O mesmo grupo político se dividiu em três. A maioria da estrutura do Estado está à disposição das outras candidaturas. Tenho absoluta convicção do que estou falando. As exonerações foram naturais. Falaram em 48 exonerações, mas foram 21 trocadas pelo diretor, que queria montar a sua equipe. Para você ter uma ideia, os meus servidores na Assembleia foram exonerados. 

Por que o sr. não se candidatou à reeleição?

Porque o meu partido, o PSD, me negou a legenda.Tenho uma boa aceitação popular, mas eles preferiram apoiar outro candidato. Fiquei chateado no primeiro momento, mas não guardo mágoa de ninguém.  

Antigos adversários se uniram na eleição suplementar. Como explica esse fenômeno?

Aqui funciona a lógica da conveniência. Candidatos que foram adversários a vida inteira se uniram sem nenhum conteúdo programático. Os grupos que uniram no Amazonas se odeiam. 

Como se posiciona em relação ao presidente Michel Temer?

Eu luto para que estabilidade política seja mantida no Brasil. Seria muito ruim a saída do presidente Temer. Espero que as denúncias sejam apuradas no campo criminal. O País precisa de reformas para não quebrar.  

Lula sempre venceu no Amazonas. Dilma idem. O ex-presidente ainda tem essa força toda?

Lula foi um bom presidente para o Amazonas. Trouxe o Luz Para Todos (programa de acesso à energia elétrica no meio rural) e prorrogou a Zona Franca de Manaus. Há um reconhecimento natural do povo.                    

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