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Arnaldo Jabor
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Os golpes do petismo

O impeachment não é um golpe. O impeachment é um contragolpe. O golpe começou em 2002 com a “Revolução Pacífica”, como eles chamavam a tomada do poder. Nunca se consideraram “eleitos”, mas invasores do chamado Estado Burguês.

Arnaldo Jabor, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 03h18

E começaram os golpes contra a República. Golpe deram esses caras com a eleição do Lula, buraco por onde se infiltraram os velhos comunas desempregados desde 68 para fazer uma revolução por dentro do Estado (uma vulgata ridícula de Gramsci), para libertar o Brasil do “capitalismo neoliberal de direita contra o povo brasileiro”, do qual se consideram os vanguardeiros. E partiram para o desmanche do país, como se o capitalismo fosse um regime político, e não um modo de produção. Dilma está sendo julgada pelas pedaladas fiscais, gravíssimas, mas tecnicamente difíceis de entender para a população. E os petistas se agarraram a essa tecnicalidade complexa para dizer que não as cometeram.

As pedaladas foram, sim, o estopim para a grande crise a que assistimos, mas Dilma está sendo impedida por muitos outros golpes.

Foram golpe as mentiras que tramaram nas eleições de 2014, foram golpe as malandragens com as contas publicas para maquiar despesas e manter preços baixos, foi golpe a entrega do tesouro aos aliados, com permissão (desde Lula) para roubar, foi golpe a nomeação de milhares de vagabundos para cargos públicos aparelhados, foi golpe a destruição da Petrobrás, provocada pela absoluta displicência do governo com nossa maior empresa, foi golpe a estupidez da “nova matriz econômica”, que desfez tudo que estava feito para impor uma absurda agenda bolivariana num país capitalista, foram golpes as obras prometidas e inacabadas ou abandonadas, foi golpe a Dilma autorizar a compra da refinaria de Pasadena, a lata velha de US$ 1,5 bilhão, quando Dilma era presidente do Conselho da Empresa (só isso já justificaria um impeachment), é golpe denunciar às organizações estrangeiras um “golpe”, pedindo sanções contra o próprio país que dirigiu e desmanchou.

E o grande golpe se completou com 11 milhões de desempregados, com a indústria e o comércio quebrados. A lista é longa, muito além das pedaladas.

Ainda bem que esses golpes estão mergulhando na lata de lixo da História, junto com os velhos comunas que não viram cair nem o Muro do Berlim.

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