Os 38 dias que valeram R$ 22 mil para toda a vida

Aos 86 anos, João Mansur diz que passa o tempo cuidando dos netos e bisnetos. Descansa tranquilo em Curitiba, no Paraná, após uma carreira política proeminente durante as décadas de 1960 e 1970. Foi presidente da Assembleia Legislativa do Estado por cinco vezes. Em em uma delas, o vento soprou a seu favor. Acabou governando o Paraná por 38 dias, entre julho e agosto de 1973, o que lhe valeu, além de um retrato na galeria de governantes no Palácio Iguaçu, uma pensão vitalícia de R$ 22,1 mil mensais.O benefício veio automaticamente, conta ele. "Não fui eu que pedi", argumentou. "Era uma lei que beneficiava os governadores com essa pensão." Desde quando recebe? "Eu não me lembro. Já existia a lei e estou sendo beneficiado", respondeu o ex-governador. O valor à época? "Ele não nos conta", avisou seu irmão Antenor Mansur.Feitas as contas, se o ex-governador depositou na poupança todas as pensões que recebeu desde 1973, tem um saldo bancário de mais de R$ 10 milhões - sem contar os rendimentos da aplicação.Sua ascensão ao cargo foi um golpe do destino. Só assumiu porque Haroldo Peres, eleito em 1971, foi exonerado após denúncias de corrupção. Parigot de Sousa, o vice, morreu.Além da carreira política, Mansur foi um homem de negócios. Era madeireiro. "Tive quatro serrarias pelo Paraná", gabou-se.

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