Fabio Motta / AE
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Orlando Silva diz que vai processar por calúnia autor de denúncia

Ministro também afirmou estar disposto a ir ao Congresso para dar explicações sobre o assunto

Amanda Romanelli, Enviada especial a Guadalajara

15 de outubro de 2011 | 17h23

O ministro do Esporte, Orlando Silva, interrompeu sua agenda de trabalho em Guadalajara, cidade mexicana em que são realizados os Jogos Pan-Americanos, para falar durante quase 40 minutos sobre as denúncias publicadas pela revista Veja. O político afirmou que vai processar por calúnia José Dias Ferreira e Célio Soares Pereira, que o acusaram de receber verbas desviadas do programa Segundo Tempo, e que acionou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para que as denúncias sejam investigadas pela Polícia Federal (PF). Também afirmou estar disposto a ir ao Congresso para dar explicações sobre o assunto.

"Tem gente na política que acaba banalizando acusações, mas eu não. Estou sereno, diante de tamanha agressividade, e também confiante, porque sei que rapidamente, até mais do que as pessoas imaginam, a verdade virá à tona", disse Silva. "São acusações gravíssimas e vou reagir à altura".

O ministro afirmou que se encontrou com José Dias Ferreira, ex-militante do PC do B, apenas uma vez. "O único momento que encontrei este caluniador foi em uma audiência, no ano de 2004 ou de 2005, por recomendação do então ministro Agnelo Queiroz", explicou. "Ele era presidente de uma entidade relativa ao kung fu em Brasília e queria estabelecer um convênio com o Ministério. Foi a única vez que encontrei essa pessoa. Sobre a segunda pessoa (Célio), o que posso dizer é que não faço a mínima ideia de quem seja. Nunca o encontrei na vida".

Silva confirmou que houve a assinatura de convênio com as entidades lideradas por José Dias Ferreira. Mas, irregularidades no uso das verbas (que seriam da ordem de R$ 3 milhões), descredenciaram as ONGs. "Existe um processo no TCU que exigirá a devolução destes recursos porque não temos uma conduta complacente com a má utilização de recursos públicos. O fato de ele ter sido membro do meu partido e de ter relações políticas em Brasília não me interessa. Percebo que pode estar sendo criada uma cortina de fumaça em torno deste assunto", atacou.

"Agora, uma pessoa que já foi presa, é alvo de um inquérito policial, vira a fonte da verdade. Coloco-me à disposição para ir ao Congresso Nacional, já na próxima semana, para dar explicações. Estou consciente da minha conduta e do meu compromisso ético. Um bandido me acusa e eu que tenho que me explicar".

O ministro afirmou que entrou em contato com a presidente Dilma Rousseff tão logo soube da denúncia - os dois conversaram neste sábado, 15. "O que fiz foi procurá-la para informar da notícia. Foi uma conversa muito direta. O que posso dizer é que vou seguir minha agenda de trabalho, foi a recomendação que recebi da presidente. Ela não quer que a minha rotina seja impactada". Silva deve chegar ao Brasil amanhã. "Estarei em Brasília na segunda-feira e já tomarei providências".

Silva também defendeu o Segundo Tempo, alvo de inúmeras denúncias de desvio de verbas. Em sua avaliação, o programa tem sido melhorado. Uma das mudanças é que, a partir de agora, os parceiros serão escolhidos por meio de uma seleção pública. Outra medida é a da exclusão de convênios com entidades privadas.

"A cada ano aperfeiçoamos o programa Segundo Tempo. Os órgãos de controle têm feito auditorias e têm atestado esta evolução. E não vamos mais realizar convênios com entidades privadas, apenas prefeituras, Estados e universidades, que já possuem seus próprios sistemas de controle. Este é um ato de gestão que está ao meu alcance e me dará maior segurança", disse. Para ele, este tipo de atitude gera insatisfação, o que pode ter contribuído para o aparecimento das denúncias de que foi alvo.

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