Órgãos para transplante terão transporte gratuito

O Ministério da Saúde e 15 companhias aéreas firmaram nesta terça-feira parceria para o transporte gratuito de órgãos e equipes médicas de transplantes no País, com a possibilidade até de atrasar vôos para garantir o embarque. O governo também aumentou em 75% os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos hospitais não-universitários por esse tipo de procedimento e definiu regras de distribuição de órgãos entre os Estados.As medidas fazem parte do esforço para ampliar o número de transplantes no País, cuja lista de espera é de 35.751 pacientes. "A cooperação com as empresas aéreas confere agilidade", disse o ministro José Serra. O tempo máximo entre a retirada do coração de um doador e o implante é de 4 horas, subindo para 18 horas no caso do fígado.A parceria com as quatro maiores companhias aéreas - Varig, Vasp, Transbrasil e TAM - já vinha ocorrendo informalmente desde agosto. Nesse período, foram transportados 85 órgãos e uma equipe médica de um Estado para outro.O transporte dos órgãos e médicos é coordenado pela Central Nacional de Transplantes. Ficou definido que terão prioridade pacientes em situação de emergência (hepatite fulminante, por exemplo) na região onde o órgão foi captado e, a seguir, no resto do País.Portaria assinada por Serra cria quatro grandes regiões para a distribuição de órgãos. Assim, quando não houver receptor compatível ou possibilidade de realizar o transplante no Estado onde ocorreu a doação, terão prioridade os demais Estados da respectiva região.São Paulo foi agrupado com Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Distrito Federal, Tocantins, Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Rondônia e Amapá.Isso vai evitar desvios de órgãos, segundo o diretor do Departamento de Assistência e Serviços de Saúde, Alberto Beltrame. Antes, quando dispunham de um órgão, mas não de um receptor no Estado, os próprios médicos saíam atrás de pacientes em outras cidades. No ano passado foram realizados 5.707 transplantes no País, número inferior apenas ao registrado nos Estados Unidos.O SUS estendeu à toda a rede hospitalar os valores pagos a hospitais universitários. Num transplante de fígado, isso significa subir dos atuais R$ 29.656,00 para R$ 51.899,00. Equipes que captarem órgãos fora de seu município e Estado receberão um adicional, e a captação por hospitais particulares também será remunerada. Os hospitais ficam proibidos de cobrar das famílias por procedimentos relativos à doação. A cobrança deverá ser feita do SUS.

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