Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

ONU vê riscos em radicalização da crise política no Brasil

Alto Comissariado de Direitos Humanos se manifesta pela primeira vez sobre o País e demonstra preocupação com 'círculo vicioso' que afete 'credibilidade do Executivo e do Judiciário'

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2016 | 09h31

GENEBRA - O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU se manifestou pela primeira vez desde o acirramento da crise política brasileira e demonstrou preocupação com "um círculo vicioso" que afete "a credibilidade tanto do Executivo quanto do Judiciário".

Em um apelo tanto aos atuais ocupantes do governo federal como aos demais partidos políticos, a Organização das Nações Unidas disse esperar que os agentes públicos brasileiros "cooperem totalmente" com as autoridades judiciárias nas investigações sobre "suposta corrupção de alto nível, para evitar quaisquer ações que possam ser vistas como um meio de obstruir a Justiça", mas lembrou que o Judiciário deve atuar com "escrúpulos, dentro das regras do direito doméstico e internacional, evitando adotar posições político-partidárias."

"Estamos preocupados com a possibilidade de que um círculo vicioso possa estar sendo desenvolvido que acabe afetando a credibilidade tanto do Executivo como do Judiciário", disse Rupert Colville, porta-voz da ONU.

Nesse inédito posicionamento da organização sobre a crise política brasileira, a entidade faz cobranças a todos os agentes protagonistas da atual situação ao se dizer "preocupada com os debates cada vez mais politizados e acalorados" registrados nas últimas semanas no País.

Para o Alto Comissariado, essa situação ameaça causar "um sério dano de longo prazo para o Estado e para as conquistas democráticas feitas nos últimos 20 anos nos quais o Brasil tem sido governado sob uma Constituição que dá fortes garantias de direitos humanos".

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