Órgão costuma livrar acusados

O deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) será investigado e julgado por uma instância que muitas vezes frustrou expectativas de condenação de parlamentares suspeitos. No fim do ano passado, a maior parte dos integrantes do Conselho de Ética derrubou o relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) pela cassação do pedetista Paulo Pereira da Silva (SP), suspeito de desvio de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O relator do parecer pela absolvição foi o atual presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA). O próprio Moreira, que já fez parte do conselho, declarou, depois de eleito corregedor da Câmara, em fevereiro, que deputados não deveriam julgar seus pares, por terem "o vício da amizade". Ele renunciou alguns dias depois, desgastado pela divulgação de que era dono de um castelo de R$ 25 milhões e teria feito uso irregular da verba indenizatória.Em 2006, foram abertos processos contra 67 parlamentares suspeitos de participar da máfia dos sanguessugas. Sete foram absolvidos e cinco tiveram a cassação do mandato recomendada, mas o ano legislativo chegou ao fim sem qualquer punição votada no plenário da Câmara. O restante nem chegou a ser julgado.Em 2005, o conselho julgou 15 suspeitos de envolvimento no escândalo do mensalão. Na maior parte dos casos, o plenário contrariou o conselho e cassou apenas Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE).

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