Órgão admite trabalho de policiais em gabinetes

O Estado procurou o diretor-geral da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Ricardo Araújo. Mas, segundo informações de seus assessores, ele estava em férias. O cargo está sendo ocupado interinamente por Rauf de Andrade Mendonça, chefe de gabinete administrativo. Ele admitiu o desvio de função por parte dos policiais legislativos."Os motoristas viraram policiais, mas não saíram de lá (setor de transporte) e continuam prestando serviço aos senadores. Todos estão em desvio de função", explicou. "A questão é política, não depende de nós, mas dos senadores."Ele admitiu que a despesa com a terceirização da segurança poderia diminuir, se parte dos 190 policiais em funções administrativas fosse chamada de volta para as suas tarefas.Andrade afirmou também que nem todo serviço da empresa terceirizada faz parte das obrigações da Polícia Legislativa, embora o texto do edital coincida com tarefas que, segundo o regimento, deveriam ser exercidas pelo órgão interno. "A ronda feita pela vigilância terceirizada, por exemplo, é específica, diferente."A assessoria da Primeira-Secretaria do Senado argumentou que o contrato de R$ 10 milhões se deve à união de outros quatro contratos de segurança espalhados pela Casa, de acordo com a recomendação da sindicância interna que identificou falhas nesses serviços.A Polícia Legislativa ganhou fama em julho de 2006, quando foi acusada de prejudicar uma operação policial. A Polícia Federal havia sido autorizada a fazer uma ação de busca e apreensão na Casa, atrás de documentos referentes a supostas fraudes em licitações envolvendo empresas terceirizadas. Um dos alvos dos policiais era o gabinete do ex-diretor-geral Agaciel Maia. Sabendo com antecedência da operação , ele teria retirado documentos antes da chegada da PF. A Polícia Legislativa, por sua vez, negou-se a fornecer as fitas das câmeras de segurança das madrugadas que antecederam a blitz.

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