Organizadora de marcha diz que conflito fora do congresso foi racismo e que acionará Justiça

Segundo Iêda Leal, participantes do evento foram agredidas sem razão por manifestante acampados no gramado; enfrentamento teve tiros, presos e spray de pimenta

Carla Araújo e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2015 | 18h52

BRASÍLIA - A secretária de combate ao racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Iêda Leal, afiirmou que a confusão desta quarta-feira, 18, durante a passagem da Marcha das Mulheres Negras pelo Congresso foi resultado de racismo e os responsáveis serão acionados na Justiça. "Nós chamamos isso de racismo. E racismo é crime e nós vamos querer que as pessoas que cometeram crime sejam punidas", disse Iêda, que também é uma das organizadoras da Marcha. "Vamos cobrar do Judiciário medidas corretas para punir pessoas racistas."

Segundo Iêda, ao passarem em frente ao acampamento do gramado do Congresso, onde estão reunidos principalmente grupos que defendem a intervenção militar no País, as participantes do evento foram agredidas sem razão. "Não tínhamos bomba, não temos armas", afirmou a militante, que foi recebida nesta quarta com algumas outras mulheres pela presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.

O episódio, de acordo com Iêda, não foi relatado à presidente, pois a reunião com Dilma foi agendada para que o grupo pudesse apresentar uma pauta de reivindicações em defesa das mulheres negras de todo o País. "Houve um momento de tumulto, não estamos dizendo que não houve, mas essa não é prioridade da nossa vinda", explicou. "Não vamos entrar nessa provocação", afirmou, ressaltando que o tema de violência contra a mulher foi debatido com a presidente, mas sem especificar o episódio.

Os intervencionistas acusaram as integrantes da marcha de destruírem barracas e o boneco inflável gigante do general Antonio Hamilton Martins Mourão. Membros da passeata, por sua vez, acusaram os intervencionistas de atirar e jogar bombinhas nos integrantes do ato.

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