Ordem na base é não dar palanque à oposição

O Planalto vai usar a maioria que tem na CPI da Petrobrás para derrubar requerimentos de convocação de autoridades considerados "inconvenientes". O objetivo é blindar o governo e impedir respingos na direção da provável candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), à Presidência, em 2010. Em conversas reservadas, auxiliares do presidente Lula afirmam que o Planalto não deixará a CPI se transformar em palanque para a oposição na temporada pré-eleitoral. Na disputa política com tucanos e democratas, Lula tentará colar nos adversários o carimbo do impatriotismo. Em uma espécie de reedição da campanha "o petróleo é nosso", que marcou os anos 50, o presidente voltará a falar do novo modelo de exploração na recém-descoberta camada de pré-sal. "Essa CPI vai ser um tiro no pé para o PSDB", disse um interlocutor do presidente. Numa tática combinada, o PT baterá na tecla de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) já teria tentado privatizar a Petrobrás. O governo deverá anunciar o marco regulatório do pré-sal até o fim de junho. Quem está cuidando do assunto é justamente Dilma. A tendência é a escolha do modelo de partilha da produção, como antecipou o Estado. Na prática, o País conviveria com um modelo misto, semelhante ao russo, mantendo os atuais contratos de concessão e aplicando a partilha para os futuros, considerados de baixíssimo risco. Haverá, ainda, uma estatal enxuta, com poucos funcionários, para administrar um fundo com as receitas do petróleo obtidas pela União. Lula quer ainda que o dinheiro arrecadado com o pré-sal seja destinado à educação. É com esse argumento que pretende desidratar a CPI.

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

27 Maio 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.