Ordem é deixar CPI com aliados

Lula não quer que oposição assuma presidência ou relatoria da comissão

Eugênia Lopes e Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 00h00

O presidente Lula é contra ceder para a oposição a presidência ou a relatoria da CPI que vai apurar o uso dos cartões corporativos. No Planalto, o argumento oficial é de que se deve seguir o regimento do Congresso, que prega obediência do princípio da proporcionalidade, pelo qual os principais postos de comando da CPI mista devem ficar com os maiores partidos.Na prática, porém, Lula não confia nos tucanos nem nos integrantes do DEM e quer que a presidência e a relatoria da CPI sejam mantidas com PMDB e PT. "Em todos os governos sempre se respeitou o regimento para a composição dos assentos na CPI", disse o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. "Se cedermos agora, nunca mais o regimento será obedecido."Múcio afirmou que nem mesmo os líderes dos partidos aliados na Câmara e no Senado aceitam ceder as vagas. Mais: na reunião da coordenação política do governo, realizada na segunda-feira, todos os ministros presentes se manifestaram contra o pedido da oposição.Isolado na tarefa de convencer seus pares, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), levou ontem o assunto pessoalmente a Lula. Para o governo, nem a ameaça da oposição de atazanar sua vida com outra CPI no Senado deve ser considerada. "Isso não é preocupante", disse Múcio. "Toda vez que o governo foi bonzinho levou chumbo", completou o senador Tião Viana (PT-AC).A posição de Jucá encontra resistência no líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS). Os dois não conseguem se entender sobre as negociações para dar à oposição um cargo de comando na CPI. "O presidente Lula não deve se envolver com nada de CPI", afirmou Fontana. O deputado tentou minimizar as divergências, argumentando que Jucá "está fazendo excelente trabalho no Senado". Ele lembrou, porém, que as "necessidades" dos senadores são diferentes das da Câmara. No Senado, o governo tem maioria apertada e, por isso, precisa negociar com a oposição. Já na Câmara, o Planalto dispõe de maioria folgada.Os líderes das duas Casas estão sem sintonia desde o início das discussões sobre a CPI dos Cartões. Enquanto Jucá se posicionou favoravelmente à criação de uma comissão mista, Fontana relutou em assinar o requerimento, assim como a maioria dos deputados da base.Com a morte do senador Jonas Pinheiro (DEM-MT), a sessão para leitura do requerimento de instalação da CPI mista foi marcada para hoje. Os 48 titulares e suplentes só devem ser indicados na próxima semana.

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