Orçamentos da Dialog serão investigados

Empresa apresentou preços irrisórios para realizar eventos na Esplanada

Leandro Colon, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

O procurador Marinus Marsico entrará hoje com um pedido de abertura de processo no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a empresa Dialog Comunicação e Eventos. Em sua representação, o procurador junto ao TCU solicitará ao tribunal que seja investigado formalmente a prática da empresa de ter apresentado preços irrisórios para vencer uma licitação em 2007 no Ministério das Cidades e, a partir daí, entrar em praticamente toda a Esplanada.A Dialog ficou conhecida ao receber R$ 1,2 milhão para organizar, em fevereiro, o encontro de prefeitos que promoveu a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como a preferida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo. O contrato fechado com a pasta de Cidades rendeu R$ 40 milhões com outros órgãos públicos, que contrataram a empresa por meio de um mecanismo legal chamado "registro de ata de preço". Dessa maneira, a planilha de custos de uma empresa vencedora de concorrência fica à disposição de outros órgãos para contratá-la sem licitação."Estou pedindo para o tribunal verificar todos os contratos que usaram essa ata de preços, porque os valores estão acentuadamente inexequíveis (sem condições de execução). Não era para a empresa ganhar a concorrência", disse Marinus.PREÇOS IMPRATICÁVEISNo último domingo, o Estado revelou a estratégia da Dialog. Para vencer os adversários no Ministério das Cidades, ela apresentou orçamento de 105 itens com preços impraticáveis no mercado de eventos. No último dia 26 de maio, a empresa ousou ao aproveitar esse contrato para atestar capacidade técnica e ganhar uma concorrência, por R$ 21 milhões, no Ministério da Pesca. A contradição está na proposta de maio. Segundo o Ministério das Cidades, a viabilidade da execução desses preços simbólicos foi comprovada, à época, apenas por "amostragem". Uma das sócias da Dialog, Gabrielle Bennet alega que fez acordos comerciais com fornecedores para arcar com os preços irrisórios em 2007. FRASEMarinus Marsico Procurador do Ministério Público no TCU"Estou pedindo para o tribunal verificar todos os contratos que usaram essa ata de preços, porque os valores estão acentuadamente inexequíveis (sem condições de execução). Não era para a empresa ganhar a concorrência"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.