DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Após aval a Levy, presidente diz ter cortado tudo que podia cortar

Um dia após reiterar apoio a superávit, Dilma afirma que é preciso ‘discutir novas fontes de receita’ com o Congresso

Gustavo Porto e Valmar Hupsel Filho, enviado especial a João Pessoa, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2015 | 09h22

Atualizado às 21h55

Um dia depois de montar uma operação para manter o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no governo, a presidente Dilma Rousseff adotou um discurso que vai de encontro ao ajuste fiscal defendido pelo mandatário da pasta. Em entrevista a emissoras de rádios paraibanas, a petista afirmou nesta sexta-feira, 4, que não havia mais espaço para redução de gastos e voltou a defender a necessidade de se buscar novas fontes de receita. 

“No Orçamento (de 2016) já cortamos tudo que poderia ser cortado”, avisou a presidente.

Levy, por sua vez, tem defendido que antes de criar novos impostos, o governo deveria aprofundar o corte de despesas, inclusive reduzindo os recursos de projetos sociais. O fato de ter se colocado contra a volta da CPMF foi um dos motivos que levou aos rumores de que o ministro estaria isolado e poderia deixar o governo.

Nesta sexta, Dilma voltou a afirmar que o governo, com o apoio da base aliada, tem de “discutir novas fontes de receita” para contornar o déficit de R$ 30,5 bilhões da proposta orçamentária para o próximo ano. “Vamos discutir com o Congresso e sociedade, mas não vamos transferir a responsabilidade para ninguém. Vamos indicar de onde virá a receita”, disse.

Na reunião de emergência convocada anteontem por Dilma, a petista garantiu a Levy que a meta do governo é eliminar o déficit na tramitação do projeto no Congresso e chegar a um superávit primário de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano.

A presidente, porém, voltou a defender durante a entrevista a opção do enviar uma peça orçamentária com um rombo bilionário, pois assim o governo adotava “um caminho de transparência e verdade”.

Dilma admitiu ainda que há divergências com o Legislativo, mas pregou o diálogo, independente das diferenças partidárias, em nome da estabilidade. Segundo ela, somente há concordância absoluta “na calma dos cemitérios”.

Mesmo diante do quadro deficitário, Dilma citou que o governo não cortará programas como o Minha Casa, Minha Vida, cuja terceira fase será lançada na próxima semana, e o Mais Médicos. “Quando você está passando dificuldades, você precisa preservar (esses programas) para que quando a dificuldade passar, você possa avançar”, disse. 

Na visita a João Pessoa, ela também garantiu que vai dar continuidade às obras de transposição do Rio São Francisco e afirmou que pretende entregá-la o mais rápido possível. “Não iremos de maneira nenhuma paralisar as obras”, afirmou.

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