Dida Sampaio/Estadão - 28.05.2015
Dida Sampaio/Estadão - 28.05.2015

Opositores de Cunha pedem fim de sigilo em investigação da Kroll

Deputados reagem à orientação de cúpula da comissão para que empresa de espionagem priorize busca de informações sobre o lobista Júlio Camargo, que denunciou o presidente da Câmara por pedir propina de US$ 5 milhões

Daniel Carvalho e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2015 | 02h01

BRASÍLIA - Opositores do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na CPI da Petrobrás pedirão o fim do sigilo das investigações conduzidas pela Kroll em reação à revelação de que a empresa de espionagem foi orientada pela cúpula da comissão a dar prioridade às investigações sobre algumas pessoas, entre as quais o lobista Júlio Camargo.

Camargo, delator da Operação Lava Jato, acusa Cunha de cobrar propina de US$ 5 milhões. A intenção, segundo integrantes da CPI, é apontar contradições na delação e desqualificar o depoimento do lobista mostrando evidências de que ele não contou toda a verdade e, portanto, descumpriu o acordo firmado com as autoridades.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) condenou a investigação "seletiva" na CPI e a omissão dos nomes que são alvo da Kroll. "Há uma tentativa de desmoralizar a Lava Jato para que tudo seja considerado nulo e eles saiam como se nada estivesse acontecendo no País", afirmou. Delgado classificou como "abuso de poder" a manutenção do sigilo e disse que vai pedir a divulgação no retorno do recesso.

O sub-relator da CPI, Altineu Côrtes (PR-RJ), disse que foi convencido por representantes da Kroll da importância técnica do sigilo para o andamento do rastreamento, mas agora vai defender o fim do sigilo. "Sou favorável a dar publicidade a tudo."

Além de pedir o afastamento de Cunha da presidência da Casa, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) disse que solicitará formalmente a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático (mensagens de celular) do peemedebista.

Defesa. Cunha divulgou nota nessa quinta-feira em que nega ingerência sobre a CPI da Petrobrás, comandada por seu aliado, Hugo Motta (PMDB-PB). "Não participei, não participo nem participarei de qualquer decisão sobre investigações da CPI, que tem a sua autonomia", afirmou.

O presidente da Câmara contesta reportagem publicada ontem pelo Estado que revelou a solicitação da cúpula da CPI à Kroll para dar prioridade à investigação de quatro pessoas, entre elas Camargo. "Rechaço as insinuações da reportagem, que beira a má-fé, tentando me colocar como autor de constrangimentos, o que, definitivamente, não posso concordar", disse Cunha.

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