Opositor de Aécio garante homenagem a Serra em Minas

Titulo de cidadão honorário foi aprovado há um ano, mas cerimônia ainda não está acertada

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2009 | 00h00

Em meio à disputa entre José Serra e Aécio Neves pela candidatura do PSDB à Presidência, o governador de São Paulo deverá ser agraciado com o título de cidadão honorário de Minas. Há pouco mais de um ano, por iniciativa do deputado estadual Sávio Souza Cruz (PMDB), o requerimento que concede a honraria foi aprovado na Assembleia. Mais de seis meses depois, a proposição foi sancionada por Aécio sem alarde, por meio de decreto publicado no Minas Gerais, Diário Oficial do Estado, em 19 de setembro. Nele, Aécio, na atribuição que lhe confere a Constituição estadual, concede o título "em reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao País". O presidente da Assembleia, Alberto Coelho (PP), informou que o cerimonial entrará em contato com o Palácio dos Bandeirantes nos próximos dias para agendar a data mais "conveniente". O requerimento foi aprovado por unanimidade em 4 de março de 2008, na Comissão de Administração Pública. Nenhum integrante da ampla base de apoio a Aécio apresentou recurso para que o texto fosse colocado em votação.Peemedebista que costuma se alinhar à oposição ao Palácio da Liberdade, Cruz não esconde o caráter provocativo da proposta. Disse ter ficado sabendo decreto pelo Estado, reclamou do "silêncio tumular" do Executivo sobre o assunto e prometeu uma solenidade "festiva". "Já que Aécio propôs a Serra que caminhem juntos pelo País, tive uma ideia: quem sabe eles não iniciam essa peregrinação por Minas, pela entrega do título."A motivação, segundo ele, surgiu do argumento de Aécio para a aliança com o ex-prefeito Fernando Pimentel (PT). "Na época, argumentava que o partido não pode ser um estreitamento, um limitador da ação política", disse. "Eu, que nunca tive afinidade com os tucanos, resolvi reconhecer o que o ministro Serra fez pela saúde em Minas."Conforme a assessoria de Aécio, o Executivo fez sua parte ao publicar a concessão do título e agora caberia à Assembleia combinar com o governo paulista a data da solenidade. O líder do governo na Casa, Mauri Torres (PSDB), endossa a concessão da honraria e aposta que a disputa interna na sigla ocorrerá "sem ruptura".

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