Oposicionistas ''canibalizam'' prestígio de Lula

Candidatos de todos os partidos usam imagens do presidente e pegam carona no programa Bolsa-Família

Marcelo de Moraes, O Estadao de S.Paulo

25 de setembro de 2008 | 00h00

Na reta final das campanhas municipais, vários candidatos têm deixado de lado suas convicções e avançado sobre programas e apoios de seus adversários. Numa espécie de canibalização política, tentam obter deles o prestígio, a força e virtudes eleitorais que admiram ou o eleitorado aprova.Essa estratégia se espalhou pelo País e tem tido como alvo principal o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na esteira do crescimento de sua popularidade. Também tem acertado alguns de seus principais programas, como o Bolsa-Família, que transfere renda para as famílias com menor renda e, por conta disso, se tornou a iniciativa mais cobiçada nas campanhas eleitorais.Que o diga o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), líder nas pesquisas de intenção de voto em Salvador. No Congresso, ACM Neto tem sido um dos destaques da oposição nas críticas ao presidente e ao governo federal. Mas, diante da popularidade de Lula e do Bolsa-Família na Bahia, o candidato decidiu dar uma abocanhada no prestígio do adversário.Em seu horário eleitoral, reconheceu que o governo federal "faz sua parte" no repasse do Bolsa-Família para Salvador e aproveitou para atacar o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), seu adversário na eleição, afirmando que a prefeitura é quem falha na condução do programa. A Bahia é justamente o Estado onde o Bolsa-Família tem a maior cobertura. Assim, além de elogiar Lula, ACM Neto passou a exibir também imagens suas ao lado do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, responsável pelo programa.A popularidade de Lula, especialmente no Norte e no Nordeste, tem de fato despertado o apetite de seus antigos adversários. Líder na pesquisa em Teresina, o prefeito tucano Silvio Mendes chegou a exibir imagens do presidente em seu programa, irritando o adversário petista Nazareno Fonteles, "dono" legal da imagem de Lula na cidade. A Justiça Eleitoral decidiu que Mendes deveria suspender a exibição dessa gravação.Em São Luís, João Castelo (PSDB), que também lidera as pesquisas, recorreu ao presidente para conter o crescimento de Flávio Dino (PC do B), que tem o apoio oficial de Lula na capital maranhense. Colocou trecho de gravação feita pelo presidente na qual diz que não discriminará aliados ou adversários. A Justiça também mandou suspender a exibição, mas Castelo continuou apresentando a gravação.Em entrevista à TV Mirante do Maranhão, Castelo procurou colar abertamente na boa receptividade do presidente. "O presidente Lula está trabalhando muito pelo País e não tem nada contra ninguém. Ele vai me ajudar naturalmente como ajudará a qualquer outro. O presidente Lula não é do meu partido, mas é presidente de todos os brasileiros. Não tem problema nenhum, o presidente não tem dono", disse o candidato no programa.Até mesmo em São Paulo, onde o PT tem um embate muito mais claro contra políticos do PSDB e do DEM, não faltaram mordidas no bom momento de Lula. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) reconheceu no horário político que o presidente tem ajudado sua administração a funcionar. Tudo para tentar evitar que a candidata petista Marta Suplicy fature sozinha o prestígio presidencial.Lula, naturalmente, percebeu o movimento dos adversários. E apimentou a discussão. Num evento realizado em Natal, na semana passada, em apoio à candidata petista Fátima Bezerra, chamou os adversários de oportunistas. O ataque azedou o humor da candidata do PV, Micarla de Souza, que lidera as pesquisas em Natal contra Fátima. Apesar de ser de um partido da base do presidente Lula no Congresso, Micarla tem como principais padrinhos políticos os senadores José Agripino Maia, líder do DEM, e Rosalba Ciarlino (DEM). NA CAMPANHAGilberto Kassab (DEM)Candidato à reeleição em São Paulo (SP)Apesar de seu partido ser de oposição ao governo federal, o prefeito tem elogiado o presidente Lula no horário eleitoral e reconhecido repasses de recursos à capital. A idéia é tentar reduzir o impacto do apoio de Lula a Marta Suplicy (PT)Silvio Mendes (PSDB)Candidato à reeleição em Teresina (PI)A Justiça determinou que o prefeito não usasse imagens de Lula na campanha. Apesar de adversário do PT, ele chegou a mostrar no horário eleitoral imagens do presidente e do governador Wellington Dias (PT) ao seu ladoACM Neto (DEM)Candidato à Prefeitura de Salvador (BA)Crítico no Congresso da gestão Lula, ACM Neto elogiou no horário eleitoral a eficiência na condução do Bolsa-Família. Mostrou imagens suas ao lado do ministro do Desenvolvimento, Patrus Ananias, responsável pelo programa e filiado ao PT João Castelo (PSDB)Candidato à Prefeitura de São Luís (MA)Oposicionista no plano nacional, ele usou imagem e fala dopresidente Lula dizendo que seu governo não dará tratamento diferenciado a aliados e adversários. O TRE mandou tirar do ar a gravação, mas Castelo voltou a exibi-la

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