"Oposicionismo" do PFL surpreende aliados

A derrota que o PFL, aliado à oposição, impôs ontem ao governo surpreendeu a direção nacional do partido, paralisou as votações do Congresso e provocou cobranças do PSDB e PMDB. O líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE), fez hoje uma reunião com os coordenadores de sua campanha à presidência da Câmara para avaliar a repercussão dentro do partido e disse que o resultado foi positivo.Ele conversou, por telefone, com o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que, segundo informou o líder, não o aconselhou a recuar, e não teria reprovado o comportamento da bancada. Embora tenha recebido a adesão da maioria dos colegas do PFL, Inocêncio reconheceu, por sua vez, que fora alertado sobre os riscos políticos que uma guinada para a oposição poderia ocasionar dentro do PFL, um partido tradicionalmente conservador e governista.Os principais dirigentes ficaram surpresos com o tom e o comportamento adotados por Inocêncio nos discursos e na condução da votação do Congresso mas, ao mesmo tempo, consideraram que o gesto serviria de alerta para os parceiros da base aliada e para o próprio governo. Os coordenadores da campanha de Inocêncio estão irritados com o trabalho ostensivo que ministros do PMDB e PSDB estão fazendo em favor do deputado Aécio Neves (PSDB-MG), e estão dispostos a bloquear as votações de interesse do governo. Já os dirigentes do PSDB e PMDB aproveitaram a situação. Reagiram cobrando uma posição definitiva do PFL e decidiram responsabilizar o partido de Inocêncio pela paralisação das votações. Sem o PFL, os governistas não se sentem seguros para votar. Os tucanos e peemedebistas entendem que o PFL agiu como oposição ao governo e querem saber se podem ou não contar com os pefelistas.

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