Oposição vê ‘nervosismo’ e frases evasivas de Palocci em entrevista

Parlamentares avaliam que respostas do ministro não convenceram e complicaram sua situação

Eduardo Bresciani e Rosa Costa

03 de junho de 2011 | 23h16

BRASÍLIA - A oposição avalia que a entrevista do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, complicou sua situação. Parlamentares oposicionistas classificaram as respostas do ministro como evasivas e não viram qualquer avanço nas justificativas dadas até o momento para explicar o crescimento exponencial de seu patrimônio entre 2006 e 2010.

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Na entrevista ao Jornal Nacional, o ministro não mostrou dados sobre o faturamento de sua consultoria e não revelou para quem trabalhou antes de retornar ao governo federal.

 

Na avaliação do líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), Palocci "se afundou de vez". O líder comparou a negativa em revelar o nome de seus clientes a uma "cláusula de casamento". Para Demóstenes, Palocci pode estar impedido de contar "o que acontece no quarto", mas não tem motivos para esconder o nome do parceiro.

 

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), afirma que o ministro precisa colocar o interesse público a frente do de seus clientes. "O que ele coloca em risco dizendo quem são seus clientes? Ele está colocando em risco o interesse público ao continuar agindo sem transparência e sem responsabilidade."

 

Para o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), o ministro apenas "enrolou". "Ele teve 15 minutos do Jornal Nacional e nada disse sobre seu trabalho de consultor, quem são seus clientes, quanto ele ganhou", criticou.

 

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), destacou o comportamento de Palocci. "Ele já passou por muitas situações de pressão, mas deu sinais de profundo nervosismo, mãos entrelaçadas, boca seca."

 

Integrante do PP, aliado do governo, a senadora Ana Amélia (RS) disse que Palocci não conseguiu alterar sua disposição de assinar a proposta de uma CPI para investigar as atividades do ministro. A senadora disse ter ficado particularmente surpreendida pela declaração de Palocci de que não tratou do assunto com a presidente Dilma Rousseff. "O ministro tentou aparentar tranquilidade, mas não convenceu."

 

Para o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), Palocci deu um "tiro no pé". "A entrevista é evasiva, genérica e escapista", disse. "Ele deu um tiro no pé e piorou sua situação. Se não deu esclarecimentos hoje (sexta), não dará jamais. Não tem condições de continuar no governo."

 

Respostas. Para o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), Palocci deixou em aberto questões fundamentais sobre as atividades da Projeto. "O ministro Palocci continua sem explicar para quem trabalhou, que trabalho fez e o quanto ganhou por isso", disse Guerra. "Faz sentido ele dizer que é um cidadão que está de acordo com a lei. Mas não faz sentido deixar todo mundo sem resposta."

 

De acordo com Guerra, também faltou explicar por que a empresa de Palocci faturou mais no fim de 2010. "E não falou qual o faturamento da empresa. Por que não fala?" Guerra afirmou que a oposição "continuará procurando pelas respostas". "Elas vão surgir, mais cedo ou mais tarde." / COLABOROU JULIA DUAILIBI

 

 

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