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Oposição vê ‘ingratidão’ e agora promete ser dura

Provocados por declarações de Lula, líderes dizem que presidente desfrutou de ação 'generosa, responsável e construtiva' e só não obteve a CPMF

Alfredo Junqueira, AnaPaula Scinocca e Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2010 | 20h06

SÃO PAULO - Provocados pelas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líderes da oposição avaliam que, para sobreviver, PSDB e DEM devem partir para uma postura de maior confronto com o governo federal.

 

Ao comentarem a declaração de Lula, que disse ontem esperar que a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) não enfrente uma oposição raivosa, os parlamentares afirmam ainda que, durante os oito anos de governo, fizeram uma "oposição dos sonhos".

 

"A oposição que o Lula teve é a que todo presidente pede a Deus. Foi uma oposição generosa, responsável e construtiva. Raramente atuou com veemência", disse o vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). Para o tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve de enfrentar uma oposição muito pior que a enfrentada por Lula. "O presidente Lula reclama, mas a única derrota dele no Senado foi a derrubada da CPMF. Fomos uma oposição sem volume e precisamos aprender com os próprios erros", analisou.

 

"Lula deve se dar por satisfeito por mandar no governo Dilma. Mas não na oposição. Não estamos aqui para ouvir o palpite dele. Vamos fazer oposição como deve ser feita", disse o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA). Para o tucano, a "fiscalização" do governo Dilma deve começar já. "Devemos ficar atentos aos aloprados e mensaleiros que já estão trabalhando na transição de governo", afirmou.

 

De acordo com o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), durante o governo Dilma, a oposição vai fazer o que sempre fez: "cobrar e fiscalizar o governo e votar a favor do que julgamos favorável ao Brasil", disse. "Quem sempre trabalhou com ódio foi o presidente Lula. No governo e na oposição", acrescentou.

O candidato a vice na chapa derrotada de José Serra (PSDB), deputado Índio da Costa (DEM-RJ), considerou que as declarações do presidente mostram que ele não pretende voltar para casa após o fim de seu mandato. Para o parlamentar, Lula já está assumindo o posto de "advogado de defesa" de Dilma e a oposição terá um trabalho duplo a partir do ano que vem. "A próxima legislatura vai ter que fazer oposição à Dilma e ao Lula", disse de Madri, Espanha, onde mora a sua filha.

 

O deputado José Aníbal (PSDB-SP) classificou como "nota fora do tom, o ponto fora da curva" o próprio presidente. "O PSDB tem que ser duro e não se deixar capturar pela questão do ‘udenismo’", afirmou Aníbal.

 

Derrotado nas urnas e um dos desafetos de Lula, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) reagiu com ironia à declaração. "Engraçado Lula falar em oposição raivosa. Não é ele quem vai aos Estados e agride as pessoas gratuitamente? Lula é inclusive ingrato. Quando teve problemas no primeiro mandato, por conta do mensalão, fez um apelo à governabilidade, e atendemos. Vamos aguardar a Dilma, vamos deixá-la governar", afirmou Heráclito.

 

O senador reeleito Demóstenes Torres (DEM-GO) lamentou o fato de Lula usar "ironia e baixo calão". Disse ser necessário "apreço". "Dilma merece o mesmo tratamento respeitoso e atencioso que tivemos com o Lula."

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