Oposição vê desgaste de Lula caso barre reajuste

A oposição vai explorar ao máximo o eventual desgaste político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso ocorra o veto ao índice de 7,7% para as aposentadorias acima de um salário mínimo e o fim do fator previdenciário no cálculo das aposentadorias recomendado, hoje, pelos ministros da área econômica. A oposição reconhece a dificuldade em derrubar o veto, em sessão do Congresso, por isso, aposta no desgaste do governo mantendo o assunto em evidência no ano eleitoral.

DENISE MADUEÑO, Agência Estado

24 Maio 2010 | 19h27

A estratégia da oposição, se for confirmado o veto, é pressionar pela realização de uma sessão do Congresso para analisar a decisão presidencial. Cabe ao presidente do Senado e aliado de Lula, senador José Sarney (PMDB-AP), convocar a sessão e colocar o assunto na pauta. "O presidente terá problemas com a oposição e com a própria base", avaliou o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC).

Os aliados de Lula votaram em peso no índice de 7,7% e no fim do fator previdenciário. Esse mecanismo foi criado no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso para atrasar as aposentadorias.

"Não acredito que o presidente vá vetar, mas, se isso acontecer, vamos trabalhar para derrubar o veto. É difícil, não é simples", disse o líder do PPS, Fernando Coruja (SC). O líder de oposição foi autor da emenda do fim do fator previdenciário incluída, durante votação na Câmara, na medida provisória do reajuste das aposentadorias. Ele aponta dificuldades para derrubar o veto que vão desde a realização da sessão do Congresso, quando os deputados e os senadores se reúnem conjuntamente, até a votação do veto.

"O presidente do Congresso (senador José Sarney) não coloca o veto em votação", disse. Além disso, Coruja aponta o fato de a votação ser secreta, o que permite ao parlamentar esconder o seu voto do eleitor. O medo de desgaste político e a perda de votos em outubro foram decisivos para a aprovação pelos parlamentares de um índice maior para o reajuste do que o pretendido pelo governo. A medida provisória assinada por Lula fixou o índice de 6,14%, mas o presidente concordou em conceder 7% de correção, depois de negociação com os aliados na Câmara.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), não acredita que a mobilização pela derrubada do veto obtenha resultados. "A hipótese de isso acontecer não é plausível", disse o governista. Ela avalia que os parlamentares aprovaram o índice maior para ficarem bem com o eleitor. "As pessoas que fizeram propaganda de si mesmo não vão derrubar o veto. Se não fosse o período eleitoral, (a votação) não teria acontecido nos termos que aconteceu", disse Vaccarezza.

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