Oposição vai pressionar Cunha por CPI do BNDES

Líderes farão nova investida após Ministério Público abrir investigação para apurar se Lula praticou tráfico de influência em operações do banco

BEATRIZ BULLA, DAIENE CARDOSO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2015 | 02h03

Após o Ministério Público Federal abrir investigação para apurar se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva praticou tráfico de influência em operações do BNDES, a oposição espera contar com o apoio do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para tentar emplacar a criação de uma CPI do banco na Casa.

Para os oposicionistas, o requerimento para investigar os contratos do BNDES, protocolado no último dia 16 pelo líder do PPS, Rubens Bueno (PR), ganhou força após a veiculação da reportagem da revista Época.

A Procuradoria da República em Brasília instaurou há cerca de uma semana uma investigação formal para apurar se Lula praticou tráfico de influência internacional e no Brasil entre os anos de 2011 e 2014 para facilitar negócios da Odebrecht comrepresentantes de governos estrangeiros onde a empresa toca obras com dinheiro do BNDES.

Na Câmara, o pedido para investigar os contratos do banco é o sétimo requerimento na lista de espera para formar as comissões. Apenas cinco CPIs podem funcionar simultaneamente conforme o regimento da Casa e, atualmente, quatro já estão instaladas.

Nesse sentido, parlamentares apostam na relação mais próxima com o peemedebista e no seu discurso de independência em relação ao Palácio do Planalto para que ele não renove três das quatro comissões em andamento. Cunha decide sobre o objeto e a viabilidade da criação de cada CPI. Assim, se o presidente entender que o pedido de investigação das demais é genérico, pode passar na frente o caso dos contratos do BNDES.

"Se ele entender que não existe fato determinado para as demais, ele instala a do BNDES e pronto", disse o líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP). O tucano deve conversar com Cunha amanhã para reforçar a intenção de discutir os trâmites da instalação do grupo. "Todos os líderes da oposição querem essa CPI. Como existe ainda uma vaga, lutaremos por ela", afirmou Sampaio.

Fila. O presidente da Câmara, porém, não tem dado sinais de que está disposto a atropelar o trâmite. Ontem ele disse que a fila das CPIs deve ser cumprida. "Eles (líderes da oposição) sabem que é preciso esperar a vez dela", afirmou Cunha, que não acredita na possibilidade de a oposição aprovar um projeto para permitir a instalação de mais de cinco CPIs simultaneamente.

Parlamentares chegaram a discutir nos últimos dias a possibilidade de aprovar um projeto de resolução em caráter de urgência para que a Câmara autorizasse o funcionamento de seis CPIs simultaneamente. A intenção era assegurar a instalação da comissão para investigar os contratos do BNDES. Para aprovar a medida é necessário contar com 257 votos na Câmara.

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