Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Oposição vai deixar delação de Delcídio para outro pedido de impeachment de Dilma

Partidos que apoiam afastamento de Dilma definem estratégia a fim de evitar judicialização do atual processo em discussão na Câmara

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2016 | 11h34

Brasília - Após reunião na manhã desta terça-feira, 22, líderes da oposição na Câmara confirmaram que não pedirão a inclusão da delação do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (sem partido-MS) ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff em discussão na Casa. Segundo os opositores, o objetivo é evitar que o governistas "arrastem" a tramitação do processo e levem o caso para questionamentos no Judiciário.

O objetivo da oposição é apresentar um novo pedido de impeachment com base na delação premiada de Delcídio, no qual o senador afirma que Dilma e o ex-presidente Lula tentaram interferir nas investigações da Operação Lava Jato por meio de articulações dentro do Judiciário. Segundo o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), esse pedido não será apresentado agora, para não desviar o foco do atual processo.

"Não há necessidade de aditar. O governo quer judicializar para arrastar o processo", afirmou o líder do PSDB, deputado Antônio Imbassahy (BA). De acordo com o tucano, a decisão de não aditar já foi acordada com o presidente da comissão especial do impeachment, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), que fará o anúncio monocraticamente, afirmando contar com o apoio da maioria dos 65 integrantes do colegiado.

O líder do DEM na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM), argumentou que os motivos que levaram a abertura do processo já em andamento - as pedaladas fiscais, os prejuízos com a compra da refinaria de Pasadena (EUA) e edição de decretos de abertura de crédito orçamentário sem autorização do Congresso - são suficientes para justificar o impeachment.

Na segunda-feira, 21, o deputado Laerte Bessa (PR-DF) protocolou pedido de impeachment de Dilma, acusando-a de ter cometido dois crimes de responsabilidade ao nomear o procurador de Justiça da Bahia Wellington Lima e Silva para o Ministério da Justiça e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o comando da Casa Civil.

Além dos líderes do PSDB, DEM e PPS, participaram da reunião da oposição desta terça-feira na Câmara deputados e líderes do Solidariedade, PSC e PSB. Este último partido se diz "independente" na Casa, mas já declarou que deverá votar a favor do impeachment.

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