Oposição vai ao TCU pedir investigação contra senador

Plano inclui levar o tema para a CPI da Petrobrás e instalar Conselho de Ética para pedir afastamento

Denise Madueño e Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de julho de 2009 | 00h00

Sem força política e sem esperança de afastar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), partidos de oposição vão recorrer ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo investigação do uso de dinheiro da Petrobrás pela Fundação José Sarney. Conforme revelou o Estado ontem, parte do patrocínio de R$ 1,3 milhão da Petrobrás para a entidade foi usada em empresas fantasmas e parte foi parar em empresas da família Sarney.O senador fez questão de presidir a sessão de ontem e procurar se justificar. Ele ficou no plenário por 22 minutos, tempo insuficiente para ouvir os discursos dos líderes do DEM, José Agripino (RN), e do PSDB, Arthur Virgílio (AM), cobrando explicações.Outra linha de atuação da oposição será tentar investigar o uso do dinheiro na CPI da Petrobrás, com instalação marcada para a próxima terça-feira. "Essa questão foi para dentro da CPI", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento da comissão. A oposição também vai tentar instalar o Conselho de Ética do Senado para que vote pelo afastamento de Sarney do cargo.O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), lembrou que Sarney se mantém no cargo com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não há mais golpe mortal no ambiente do Senado. A questão não passa a ser mais do Congresso, mas do governo que o sustenta."Na terça-feira, o DEM e o PSDB vão ao Ministério Público e ao TCU para pedir a investigação das denúncias. "Não vou insistir na proposta de licença de Sarney, porque não temos sustentação política. Somos 33 senadores do total de 81", afirmou Agripino.No plenário, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi o único que defendeu Sarney. Disse que o Instituto Fernando Henrique Cardoso recebeu da Sabesp, a empresa de saneamento de São Paulo, "patrocínio semelhante". "Quem está sendo objeto de acusação não é nem a Sabesp nem o Instituto Fernando Henrique e, sim, o presidente Sarney, cuja fundação é suspeita de desvio", defendeu Agripino.Pela manhã, líderes da base mantiveram um discurso único. Como se trata de incentivo pela Lei Rouanet, cabe ao Ministério da Cultura apurar se houve irregularidades. "É um convênio dentro dos preceitos da Petrobrás", afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), disse que esperaria as explicações da fundação. SUSPEITA Os buracos nas notas e declarações oficiais do presidente do SenadoFUNDAÇÃO SARNEYO Estado revelou que a Fundação José Sarney desviou para firmas fantasmas e empresas do próprio senador R$ 500 mil da Petrobrás destinados a um projeto cultural que nunca saiu do papelPalavra do senador Ele é presidente de honra da fundação e não tem responsabilidade sobre sua administração. As acusações devem ser respondidas pelo comando da entidadeCASA OCULTAReportagem do Estado mostrou que Sarney ocultou da Justiça Eleitoral a casa de R$ 4 milhões em que mora em BrasíliaPalavra do senadorA omissão do imóvel foi um "esquecimento" do seu contadorATOS SECRETOSO Estado revelou que o Senado escondeu centenas de atos administrativos nos últimos anosPalavra do senadorNum primeiro momento, disse que tudo não passava de "erro técnico". Depois, foi obrigado a abrir uma investigação internaMORDOMOUm mordomo de Roseana Sarney, filha do senador, é funcionário do Senado. Conhecido como "Secreta", ele recebe pelo menos R$ 12 mil mensaisPalavra do senadorEle é apenas o "chofer" noturno a serviço do SenadoAUXÍLIO-MORADIA Desde março de 2008, Sarney passou a receber o auxílio-moradia de R$ 3,8 mil mesmo possuindo um imóvel próprio em BrasíliaPalavra do senadorFoi um erro técnico de sua assessoria. Sarney prometeu devolver os recursos

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