Oposição vai ao STF cobrar explicações do ministro da Pesca

Na CPI, deputado do DEM acusou Altemir Gregolin de usar viagem oficial para fazer campanha eleitoral

Agência Brasil

10 de abril de 2008 | 15h54

O ministro da Aqüicultura e Pesca, Altemir Gregolin, pode ter de responder na Justiça por ato de improbidade administrativa. Na próxima semana, os deputados Vic Pires (DEM-PA) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) vão protocolar ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em razão da acusação de que o ministro teria feito campanha eleitoral durante viagem oficial em outubro de 2006 ao Pará. Gregolin classifica a denúncia como "tentativa de politização do debate" (sobre o uso dos cartões corporativos).  Veja também Necessidade de sigilo de dados não é eterna, diz general à CPIOuça o 'melô dos cartões' Ouça: Matilde Ribeiro fala sobre acusações na CPI À CPI, diretor da Abin defende sigilo da Presidência ARQUIVO:  Secretária da Igualdade Racial é líder em gastos, revela Estado  'Troquei de cartões na compra do freeshop', diz Matilde à CPIGastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008Os ministros caídos  Entenda a crise dos cartões corporativos  A denúncia foi feita por Vic Pires durante reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Cartões Corporativos. O deputado leu a transcrição de um discurso feito por Gregolin, no qual ele pediu, durante a distribuição de carteiras profissionais a pescadores, votos para o presidente Lula, a então candidata do PT ao governo paraense, Ana Júlia Carepa, e agradeceu pelos votos dados ao candidato a deputado estadual Miriquinho Batista. A viagem ocorreu em 6 de outubro de 2006, exatamente entre o primeiro e o segundo turno das eleições. "Valer-se do cargo de ministro para pedir votos, no momento em que entregava carteiras aos pescadores, é um ato inconcebível, não-republicano e imoral. Ele vai ter de responder na Justiça pelo ato", disse Carlos Sampaio. "Vamos entrar com essa ação na semana que vem pedindo que o ministro seja afastado de suas funções e que responda pelo ato de improbidade administrativa", completou. Para o ministro, a acusação é uma tentativa de "politizar o debate" sobre os cartões corporativos. "Essa questão nem é objeto da CPMI. O objeto da CPMI é analisar as questões do cartão. Não entendi por que trouxeram essa questão, tentando politizar (o debate)", ressaltou. A presidente da CPMI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), disse que o gasto público com a viagem do ministro era para cumprimento de agenda. Segundo ela, se ficar comprovado que Gregolin fez campanha eleitoral durante evento oficial, "o ministro vai ter de se explicar".

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