Oposição vai à Procuradoria-geral acusar Dilma de extorsão

Medida foi anunciada pelo presidente do PSDB, Aécio Neves, após trechos da delação do dono da UTC, Ricardo Pessoa, virem a público, na sexta-feira passada

Isadora Peron , O Estado de S.Paulo

30 Junho 2015 | 13h48

BRASÍLIA - Após trechos da delação do dono da UTC, Ricardo Pessoa, virem a público, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), citado em delação do doleiro Alberto Youssef na Lava Jato anunciou nesta terça-feira, 30, que os partidos de oposição vão entrar com uma representação na Procuradoria-Geral da República por crime de extorsão contra a presidente Dilma Rousseff e o então tesoureiro da sua campanha, ministro Edinho Silva.

"Há ali explicitado por ele (Pessoa), uma clara chantagem. Ou ele aumentava as doações ao Partido dos Trabalhadores e à campanha da presidente da República, ou ele não continuava com suas obras na Petrobrás. Apenas a presidente da República é quem teria as condições de efetivar essa chantagem, e não o então tesoureiro do partido", afirmou Aécio. A campanha presidencial do tucano no ano passado também recebeu doações da UTC.

A medida foi anunciada após um encontro com lideranças do PSDB, DEM, PPS e Solidariedade. Apesar de parte da oposição considerar que já há elementos suficientes para que se entre com um pedido de impeachment na Câmara, Aécio e outros nomes tucanos têm colocado um freio no processo e defendido que é preciso "cautela" ao tratar do tema.

Além da representação na PGR, o grupo de partidos da oposição vai apostar em outras duas frentes para desgastar o governo: entrar com um novo pedido no Tribunal de Contas da União (TCU) para que o órgão investigue também a suspeita de que Dilma continuou com as chamadas pedaladas fiscais em 2015 e acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que a delação de Pessoa seja levada em conta no processo que já foi aberto no órgão contra a campanha da petista.

Para o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), essas três ações vão pavimentar o caminho para um eventual pedido de impeachment de Dilma. O senador afirma que hoje falta "muito pouco" para que fiquem configuradas as provas necessárias para abrir o processo.

Segundo líder do PSDB na Câmara, Nilson Leitão (MT), há consenso hoje na oposição que Dilma não tem mais condições de se manter no cargo. "A forma que ela vai sair, a oposição vai continuar discutindo", afirmou.

Delação. A presidente não foi a única citada por delatores da Lava Jato. O próprio Aloysio Nunes, segundo matéria da revista Veja, foi citado por Ricardo Pessoa por supostamente ter recebido R$ 200 mil da UTC como caixa 2 em 2010, acusação que o senador nega. Além disso, no começo do ano o doleiro Alberto Youssef afirmou que entre 1996 e 2000 o então deputado Aécio Neves recebia parte da propina de US$ 120 mil mensais em uma diretoria de Furnas por meio de uma de suas irmãs. As acusações do doleiro não foram suficientes para que a Procuradoria-Geral da República requisitasse inquérito para investigar Aécio no âmbito do esquema Petrobrás. No início de março, em petição ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral, Rodrigo Janot, pediu arquivamento do procedimento relativo ao senador do PSDB.

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