Oposição vai à PGR para investigar aliado de Dilma

Valter Luiz Cardeal Souza, presidente do CGTEE, é suspeito de usar empresa para concessão de empréstimos externos de forma fraudulenta

Carol Pires, do estadão.com.br

18 de outubro de 2010 | 15h31

BRASÍLIA - Com a mira apontada para a candidata à presidência, Dilma Rousseff (PT), um grupo de parlamentares da oposição pediu, nesta segunda-feira, 18, à Procuradoria-Geral da República a abertura de investigação contra dois aliados políticos e profissionais da presidenciável petista: a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e o diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobras, Valter Luiz Cardeal de Souza. Para os oposicionistas, "todas as condutas criminosas possuem, em sua gênese, estrito vínculo com a candidata à presidência, Dilma Roussef".

 

Foram duas representações encaminhadas ao procurador Roberto Gurgel. A primeira pede investigação sobre reportagem da revista "Época" intitulada "Banco Alemão envolve homem de confiança de Dilma - e ela própria - na história de uma fraude de 157 milhões de euros".

 

Segundo a matéria, a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), de quem Cardeal é presidente do conselho de Administração, teria sido usada como fiadora de empréstimo externo para o banco alemão Kreditanstalt für Wiederaufbau (KFW), apesar de a Lei de Responsabilidade Fiscal proibir empresas do governo de serem fiadoras de empréstimos internacionais a empresas privadas.

 

O outro documento entregue pela oposição à PGR é um complemento a ser anexado a uma primeira representação contra a ex-ministra Erenice Guerra. DEM, PSDB e PPS pediram investigação sobre a prática de tráfico de influência por parte de Erenice e o filho dela, Israel Guerra, em contratos com o governo federal. No adendo apresentado hoje, os partidos pedem a inclusão de novas informações contidas em reportagens da revista Veja, de que uma ex-assessora de Dilma foi investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por contrato sem licitação no Ministério de Minas e Energia.

 

"A dinâmica das narrativas deixam claro que todas as condutas criminosas possuem, em sua gênese, estrito vínculo com a candidata à presidência, Dilma Roussef, então ministra de Minas e Energia e posteriormente Ministra da Casa Civil", diz trecho das representações. O documento é assinado pelos deputados João Almeida (PSDB-BA), Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Paulo Bornhausen (DEM-SC), e o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). João Almeida protocolou os pedidos na PGR acompanhado por outros sete deputados da oposição.

 

"As evidências são de que existem balcões de negócio controlados por Erenice e agora, também, controlado no sistema elétrica, na Eletrobrás, pelo senhor Valter Cardeal. São duas pessoas da mais absoluta confiança de Dilma Rousseff, que as escolheu e que vem lhes dando proteção", afirmou João Almeida, líder do PSDB na Câmara dos Deputados. O líder tucano observou que Cardeal foi citado na Operação Navalha, mas foi mantido na Eletrobras apesar de o Ministério Público ter pedido o afastamento dele do governo.

 

Almeida criticou ainda a declaração de Dilma Rousseff, em debate com José Serra (PSDB), na Rede TV, no domingo, quando se disse "indignada" com a situação de Erenice. "Não concordo com a contratação de parentes e de amigos. Eu tenho um compromisso em combater o nepotismo e o tráfico de influência", afirmou. "É uma indignação tardia, porque são pessoas que ela mesma escolheu", comentou o tucano.

 

Atualizada às 17h30

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.