Oposição terá grau limitado de ação se vencer, diz EIU

A possibilidade de vitória de um candidato da oposição na eleição presidencial de outubro preocupa os investidores estrangeiros à medida que seria um sinal de que a sociedade brasileira quer mudanças na atual política econômica. A avaliação é de David Anthony, economista sênior para América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU), divisão do grupo The Economist, que pondera, no entanto, que a evolução das instituições brasileiras nos últimos anos limita a amplitude de mudanças aceitas pela sociedade.Anthony citou a estabilidade de preços, a Lei de Responsabilidade Fiscal e talvez até mesmo o câmbio flutuante como conquistas que vieram para ficar. "Os investidores estão interessados em continuidade", resumiu o economista, sobre os riscos que os investidores estrangeiros vêem na sucessão que, segundo ele, só poderá ser melhor avaliada a partir do segundo semestre.A eleição presidencial deste ano será um dos temas discutidos por Anthony e Lou Celi, diretor editorial da Economist Intelligence Unit, na palestra "Brasil: At the Crossroads", promovida em parceria com a Agência Estado, no próximo dia 21, às 8h30, no Hotel Sheraton Mofarrej, em São Paulo. "A eleição é um fator de risco para a confiança que os investidores têm no Brasil", disse o economista.Se, de um lado, os investidores vêem com otimismo os progressos feitos pelo País durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, Anthony lembrou que ainda há questões que preocupam, citando dois exemplos: o déficit em conta corrente, que revela a dependência brasileira ao capital externo, e a desigualdade social.Na opinião do economista, a vitória de um candidato de oposição, e ele citou especificamente Luís Inácio Lula da Silva (PT), implicaria mudanças. "Não acredito que ele abriria mão da responsabilidade fiscal, liberando dinheiro para os Estados, mas seria pressionado a fazer alguma coisa diferente", afirmou. Já a eleição de um candidato de centro seria melhor aceita pelos investidores, porque asseguraria a continuidade da política econômica.ArgentinaEstatizar os bancos argentinos não é a melhor saída para a atual crise do sistema. Ao contrário da agência de classificação de risco Moody´s, que não vê outra alternativa para o governo da Argentina, o economista descarta essa idéia. A transferência do controle dos bancos para o Estado, de acordo com ele, não recuperaria a confiança dos argentinos nas instituições que nunca esteve em nível tão baixo. Anthony lembrou que o sistema bancário argentino tinha um bom desempenho antes do agravamento da crise econômica do País, contribuindo para o crescimento do lucro das matrizes. "A crise veio em consequência de decisões do governo", disse, citando a desvalorização do peso frente ao dólar, e o descasamento da correção entre os ativos e passivos dos bancos. A recapitalização do sistema bancário do país vizinho é, de acordo com o economista da Economist Intelligence Unit, fundamental para o enfrentamento da crise. Pouco otimista sobre a negociação em curso entre o governo do presidente Eduardo Duhalde e o Fundo Monetário Internacional (FMI), Anthony prevê muitas dificuldades. "O FMI não quer ser acusado de dar dinheiro à toa para a Argentina", disse, lembrando que a instituição liberou grandes empréstimos nos anos recentes. Ao falar sobre as consequências da crise da Argentina, Anthony elogiou o governo brasileiro por ter limitado o contágio que ficou praticamente restrito ao comércio bilateral entre os dois países.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.