Oposição tenta reverter arquivamento de impeachment de Yeda

Como têm maioria de 17 a 12 na comissão, os aliados da governadora não se preocuparam em fazer diligências

Elder Ogliari, de O Estado de S.Paulo,

07 Outubro 2009 | 17h12

Os deputados de oposição na comissão especial que analisa a admissibilidade de um processo de impeachment contra a governadora Yeda Crusius (PSDB) vão pedir informações complementares à juíza federal Simone Barbisan Fortes para, com os dados, tentar reverter a tendência de arquivamento do pedido na votação marcada para a noite desta quinta-feira.

 

A decisão de pedir uma audiência com a magistrada foi tomada nesta quarta-feira, quando 11 deputados analisaram áudios, vídeos e informações da quebra de sigilo bancário e fiscal da governadora e pessoas próximas a ela em reunião a portas fechadas.

 

"Há discrepâncias consideráveis nas informações que exigem o aprofundamento do trabalho", afirmou Ronaldo Zülke (PT), evitando dar qualquer detalhe para não violar o sigilo exigido pela Justiça quando permitiu que os deputados tivessem acesso aos documentos.

 

Outro participante da reunião, Raul Pont (PT), disse que a comissão não pode votar o relatório da deputada Zilá Breitenbach (PSDB), que propõe o arquivamento do pedido de impeachment, sem que todos os seus 29 integrantes tomem conhecimento das informações analisadas pela oposição. "Eles se recusam a participar dessa reunião e a relatora não procurou essas evidências", acusou. "Ou então terão que votar informando que se recusaram a ver as provas às quais tivemos acesso".

 

Como têm maioria de 17 a 12 na comissão, os aliados de Yeda não se preocuparam em fazer diligências e deixaram que Zilá, que também é presidente do PSDB no Estado, elaborasse o parecer sozinha, como admite o regimento. Também indicam que vão aprovar o relatório, enterrando o pedido de impeachment.

 

Ao tomar conhecimento dos movimentos da oposição, Zilá considerou normal que os adversários do governo "façam todo o tipo de ação para desgastar e desqualificar o relatório". Também sustentou que formou sua convicção pela análise de documentos. "Eles dizem que viram, eu não vi", ressaltou, referindo-se às discrepâncias citadas pelos deputados do PT, PSB, PDT e DEM. Por fim, ironizou a acusação, feita pela oposição, de que não quis ver. "Existe aqui na Assembleia alguém que sabe tudo e alguém que não sabe nada; nós estamos do lado dos que não sabem nada".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.