Oposição tenta instaurar CPI contra prefeita de Fortaleza

A oposição à prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), na Câmara de Vereadores, espera abrir na próxima semana, após um mês de resistência da base aliada da prefeita, a primeira Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra ela. A CPI servirá para apurar suspeitas de superfaturamento na festa de réveillon promovida pela prefeitura.Luizianne será investigada porque publicou no Diário Oficial do Município ter pago R$ 490 mil para a cantora paraibana Elba Ramalho, principal atração da festa, quando a artista disse ter recebido R$ 100 mil de cachê. Na festa, foram gastos R$ 2,2 milhões com verbas do Banco do Brasil (R$ 1,250 milhão), Ministério do Turismo (R$ 297,5 mil), Caixa Econômica Federal (R$ 200 mil), Banco do Nordeste do Brasil (R$ 150 mil), Prefeitura (150 mil) e Ambev (R$ 200 mil).AssinaturasJá assinaram o pedido 10 vereadores (Carlos Alberto Mesquita-PMDB, Marcos Teixeira-PR, Alri Nogueira-PSDB, Idalmir Feitosa-PSDB, Nelba Fortaleza-PTB, Iraguaçu Teixeira-PDT, Márcio Lopes-PDT, Machado Neto-PFL, Antônio Carlos-PTB, Adelmo Martins-PR).Quatro outros (Martins Nogueira-PSDB, João Batista-PR, Eliezer Moreira-PFL e Wilame Correia-PTB) informaram que irão assinar o requerimento neste feriadão, alcançando assim o número mínimo de 14 para a abertura da comissão.O mais resistente a assinar era Martins Nogueira. Ele foi pressionado pela presidente do PSDB no Estado, a ex-deputada estadual Tânia Gurgel, mas disse que primeiro teria que conversar com o presidente nacional do partido, senador cearense Tasso Jereissati. A conversa acontece nesta quinta-feira e Martins deve ser convencido por Tasso a assinar. CríticasO presidente da Câmara de Fortaleza, vereador Tim Gomes (PHS) é contra a CPI, "mas se a oposição conseguir as 14 assinaturas eu instalo na mesma hora", diz. Ele afirma ser contra a CPI, porque uma comissão especial de fiscalização da Casa já está investigando o caso. "A CPI é puramente eleitoreira", destaca. Tim não acredita que a oposição consiga as 14 assinaturas "porque a prefeita já esclareceu tudo. Mandou toda documentação para Câmara e para o Tribunal de Contas dos Municípios. O que houve foi uma atecnia. E ela já republicou no Diário Oficial do Município os valores pagos a cada uma das 14 atrações. Não tememos CPI, mas ela por ter um objetivo eleitoral, nós somos contra".InvestigaçõesNesta quarta-feira, o Ministério Público Federal, que também investiga o caso, ouviu por mais de três horas o secretário municipal de Administração, Alfredo Pessoa. Ele foi explicar como foram realizados os pagamentos da festa. O depoimento foi a portas fechadas e nada foi divulgado.Luizianne Lins tem dito que a possível CPI "é obra da oposição liderada pelo presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), visando às eleições de 2008. "Não fizemos nada de errado. O que a Prefeitura gastou foi R$ 150 mil com fogos de artifício e o erro da publicação no Diário Oficial já foi corrigido", diz.

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