Oposição tenta hoje criar CPI no Senado para apurar dossiê

Na CPI mista, estão previstos para esta terça os depoimentos do ministro do Esporte e do general Jorge Félix

Da Redação,

08 de abril de 2008 | 09h17

Os partidos de oposição vão tentar instalar nesta terça-feira, 8, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva do Senado para apurar os gastos com cartões corporativos, paralela à comissão mista já instalada na Câmara. Os oposicionistas tentarão usar o maior equilíbrio no Senado para conseguir a convocação de pessoas ligadas à Presidência e a requisição de documentos considerados sigilosos. A investigação da Polícia Federal sobre o caso também decepcionou a oposição, já que vai investigar apenas o vazamento das informações e não quem montou o suposto dossiê.   Veja Também:   PF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHC Decisão da PF de investigar dossiê é uma farsa, diz Virgílio Garibaldi deve instalar CPI dos Cartões no Senado amanhã Dilma anuncia auditoria e fala em ação da PF sobre vazamento Entenda o que é e como funciona o ITI Dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Forúm: Quem ganha e quem perde com a CPI? Oposição vai questionar Dilma sobre dossiê contra FHC em comissão   Enquanto na Câmara a base do governo tem quase 380 dos 513 deputados (74%), no Senado o equilíbrio é maior: independentemente das legendas, a divisão costuma ser de 47 senadores governistas (58%) contra pelo menos 34 que acompanham a oposição.   A investigação da Polícia Federal sobre o caso foi confirmada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, na segunda-feira, 7. "A Polícia Federal vai investigar delitos e não vai investigar situações políticas. Situações políticas quem investiga é CPI", disse Tarso. O foco da investigação atende às expectativas da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ela já havia manifestado que, se fosse inevitável convocar a PF, que o órgão investigue apenas "o vazamento" - sem tratar da elaboração do material.   O ministro da Justiça reagiu nesta terça-feira às críticas da oposição de que a Polícia Federal não teria isenção e alegou que se a PF for transformada em uma polícia política "ela terá que investigar indicações em abstrato de todos os lados (...) Terá que fazer uma investigação sobre o senador Álvaro Dias que obteve um documento ilegal e divulgou este documento". Segundo Tarso, esta é uma característica dos regimes totalitários. O ministro concluiu afirmando que a polícia deverá investigar um tipo criminal: o roubo de informações. "O resto é debate político e assim deve prosseguir".   O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) marcou para esta terça-feira a leitura do requerimento de instalação da CPI exclusiva no Senado. Para esta terça também estão previstos, na CPI Mista, os depoimentos do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Félix, e do ministro do Esporte, Orlando Silva. Félix será ouvido sobre a possibilidade de abertura de sigilo dos gastos da Presidência da República com cartões corporativos e Orlando Silva deverá esclarecer denúncias de uso irregular do cartão.   A ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, devem depor na quarta-feira. Depois, será a vez do ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, Altemir Gregolin, e do ex-ministro do Gabinete da Segurança Institucional da Presidência no governo Fernando Henrique Cardoso Alberto Cardoso, na quinta-feira.   Oposição   A estratégia da oposição passa pelo esgotamento da discussão dentro do Congresso. Na CPI - ou CPIs -, os oposicionistas prometem recolocar em pauta a necessidade de abrir o sigilo dos cartões corporativos. Se não obtiverem êxito, recorrerão ao Supremo. "Se nós não conseguirmos pela via normal, que é a CPI, vamos entrar com uma ação no Supremo", garantiu o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Posição semelhante vem sendo articulada pelos líderes do PSDB. Um parlamentar revelou que o partido já trabalha de forma reservada uma ação para pedir a quebra do sigilo dos gastos de Lula e Marisa. Demóstenes lembrou que "a guerra administrativa" é para que os atuais ocupantes do poder mostrem como gastaram os recursos. Lembrou que, se se confirmar que o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso foi mesmo feito dentro do Palácio do Planalto, estará configurada a quebra de sigilo dos dados. Para controlar o novo foco de investigações no Senado, Lula receberá nesta terça no Planalto a bancada do PDT no Senado - que conta com quatro parlamentares. O líder do partido, Jefferson Péres (AM), disse que, enquanto o Planalto continuar na estratégia de blindar a ministra Dilma Rousseff, a oposição vai acirrar os ânimos para desgastar o governo. "Pior é não ir e ficar exposto", avaliou Péres, deixando em aberto a possibilidade de o PDT apoiar a CPI exclusiva do Senado.

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