Oposição tem recurso para evitar salvação de Sarney

Líderes partidários decidiram agir antes que Paulo Duque arquive denúncias contra o presidente da Casa

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

18 de julho de 2009 | 00h00

Os líderes dos partidos de oposição decidiram se precaver e deixaram pronto recurso para tentar impedir que o presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), mande arquivar sumariamente as denúncias e a representação do Psol contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Depois das declarações de Duque, que afirmou não estar preocupado com a opinião pública, os oposicionistas estão certos de que o novo presidente do Conselho não medirá esforços para salvar Sarney. Com ampla maioria governista, o Conselho de Ética do Senado deverá acabar absolvendo Sarney. Do total de 15 integrantes, dez são da base aliada e já sinalizaram que vão apoiar Sarney e dificilmente votarão pela cassação do mandato do presidente do Senado. O Conselho de Ética só foi reativado esta semana com uma composição nitidamente pró-Sarney. Apesar de considerar a ressurreição do colegiado uma "farsa", o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) está confiante que a pressão sobre Sarney não vai amainar durante o recesso. "Saio para o recesso como alguém que sai com a casa pegando fogo e não sabe o que vai encontrar na volta", resumiu ontem Cristovam. "As denúncias são graves demais para serem esquecidas", emendou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que pretende centrar seus esforços no andamento dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar eventuais irregularidades na Petrobrás e na Agência Nacional do Petróleo (ANP). Presidente da CPI da Petrobrás e integrante da tropa de choque do governo no Conselho de Ética, o senador João Pedro (PT-AM) acredita que o recesso de duas semanas vai ajudar a arrefecer o clima contra Sarney. "O recesso vai esfriar o debate", disse o petista. "Agora, enquanto não houver respostas convincentes, haverá cobrança da sociedade", completou. Ele defendeu que o presidente do Senado e o primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), adotem medidas administrativas eficazes e apresentem resultados. "As cobranças irão continuar enquanto não forem tomadas medidas", observou. João Pedro criticou as declarações de Paulo Duque que, anteontem, afirmou não estar preocupado com a opinião pública porque ela "é muito volúvel e flutua". "Ele (Duque) tem uma responsabilidade no Conselho e precisa ter uma conduta que possa garantir a transparência de um debate. "Prudência neste momento é importante", disse o petista. Paralelamente ao Conselho de Ética, a cúpula da CPI da Petrobrás se prepara para a primeira reunião da comissão, marcada para o dia 6 de agosto. A ideia é fazer uma triagem dos 84 requerimentos apresentados. A estratégia dos governistas é se antecipar à oposição e levar o mais rápido possível os dirigentes da Petrobrás e da ANP para depor. "Acho que os diretores da Petrobrás podem vir logo participar do debate", afirmou João Pedro. PRECAUÇÃOAntes de partirem para o recesso, que começa hoje e vai até o dia 3 de agosto, os senadores de oposição que integram o Conselho deixaram assinado recurso na eventualidade de Duque determinar, durante o recesso parlamentar, o arquivamento de quatro denúncias e das duas representações do Psol - uma contra o presidente do Senado e outra contra o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). Pelo regimento, Duque tem poderes para barrar a investigação logo no início, engavetando todas as denúncias. "Tomamos essa precaução porque como vamos estar de recesso e cada senador é de um Estado diferente seria difícil reunir as assinaturas da oposição", explicou o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). Para ele, a situação de Sarney fica cada vez mais grave com as novas denúncias, como a participação de Sarney na nomeação do namorado de sua neta, conforme publicou anteontem o Estado. "Os fatos contra Sarney continuam consistentes, mesmo havendo recesso", concluiu Agripino.

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