Oposição sugere ''''sandálias da humildade''''

Em viagem ao exterior, presidente assume ares imperiais, critica Agripino

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

16 de outubro de 2007 | 00h00

No primeiro dia útil no Congresso após a queda de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado, a oposição recomendou ontem "humildade" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em viagem a Burkina Faso, o presidente disse que a saída de Renan não alterava em nada o clima na Casa e que o governo recentemente conseguiu aprovar tudo o que quis, apesar da crise."Recomendo ao presidente Lula usar as sandálias da humildade. É incrível que fora do País ele assuma ares imperiais, vaticinando o resultado do Senado", afirmou o líder do DEM na Casa, José Agripino Maia (RN). Ele lembrou que seu partido fechou questão contra a prorrogação da CPMF e que o Senado tem de respeitar o desejo da sociedade. "Dois terços da população são contrários à prorrogação do imposto. O Senado tem de interpretar o desejo da sociedade", afirmou.Futuro presidente do PSDB - no mês que vem ele deve assumir a vaga de Tasso Jereissati (CE) no comando do partido -, o senador Sérgio Guerra (PE) também reclamou da postura de Lula. "O presidente normalmente afirma utopias. Dizer que a CPMF vai passar no Senado como passou na Câmara é uma dessas utopias", disse. "Não há hipótese de a CPMF passar sem redução da carga tributária para a sociedade", concluiu Guerra. Ex-fiel escudeiro de Renan e integrante da base do governo, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) lembrou que o universo de apoio do governo no Senado não é tão amplo quanto na Câmara. Sobre as declarações de Lula, disse que revelam confiança do presidente. "O governo deve ter feito as contas", declarou. Também integrante da base, o senador do PSB Renato Casagrande (ES) disse acreditar que o Planalto vai conseguir, de fato, aprovar a prorrogação da CPMF até 2011. Mas ressalvou que a matéria só passa se houver debate profundo sobre o tema. "A CPMF vai passar, mas grande parte dos senadores quer aprofundar o debate. O governo não pode abrir mão do tributo, mas há que se discutir a redução da carga tributária e a melhoria dos investimentos em saúde", afirmou Casagrande. "A aprovação vai depender da profundidade do debate", acrescentou. O senador advertiu ainda que há que se ter cautela na discussão da sucessão de Renan Calheiros, sob pena de o Senado continuar paralisado. "O Senado tem de recuperar sua tranqüilidade. Não é momento de discutir sucessão agora", finalizou.

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