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Oposição só vai apoiar CPI mista se dividir comando

Tucanos ameaçam defender somente investigação no Senado e minar comissão de deputados e senadores

Christiane Samarco, Eugênia Lopes e Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

15 de fevereiro de 2008 | 00h00

Depois de um dia tumultuado, a oposição conseguiu protocolar ontem à noite o pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar o uso abusivo de cartões corporativos por ministros, assessores e funcionários do governo. Um primeiro pedido havia sido devolvido, horas antes, por um erro técnico. Ao saber do revés, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), passou o final do dia recolhendo assinaturas e apresentou um novo pedido, com o apoio de 28 senadores e 189 deputados. A polêmica, porém, não acabou - se a oposição não conseguir um dos cargos de comando, vai minar a CPI mista e abrir uma exclusiva no Senado."Em último caso, se for necessário, teremos duas CPIs: uma mista e outra do Senado", defendeu o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), autor do requerimento para abertura da CPI conjunta da Câmara e do Senado. "Se nos negarem um dos cargos de comando da CPI mista, vamos obstaculizar os trabalhos Casa", advertiu Virgílio. A preocupação da oposição se deve à resistência tanto do Palácio do Planalto como dos partidos da base em dividir o comando da comissão.Após identificar um erro no primeiro pedido de CPI - havia a palavra "apoiamento", em vez de requerimento -, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), determinou que as assinaturas fossem recolhidas de novo. Apesar do empenho de Virgílio em reapresentar o pedido ontem mesmo, a oposição já deixou bem claro que não apoiará uma investigação sob comando exclusivo dos governistas ou "chapa-branca".Se o cenário for esse, avisam, vão usar a hipótese da comissão no Senado para pressionar o governo a ceder um dos dois postos-chave. "Qualquer coisa que não seja a investigação dos cartões presidenciais vai cheirar a farsa", afirmou Virgílio. "Não participaremos de CPI auto-investigativa com o governo indicando relator e presidente. Não vamos coonestar uma CPI que não vai investigar", criticou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). "Se não tem entendimento é melhor que evolua para uma CPI do Senado, com relator de um lado e presidente de outro."Em meio ao imbróglio, o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) e o senador Neuto de Conto (PMDB-SC) - ambos da base de apoio ao governo - foram confirmados para a relatoria e presidência da comissão. "Vamos investigar o mecanismo dos cartões. Ver se o Judiciário, o Ministério Público, as estatais usam esse cartão", disse o petista, que assinou o pedido de CPI ontem de manhã. Conto não assinou.PASSO ADIANTEComo não convenceu os aliados a dividir o comando da CPI, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), se antecipou e já vem negociando a CPI exclusiva do Senado. Foi este, aliás, o tema do encontro de Jucá com o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), na noite de quarta-feira. Apesar da orientação do Palácio do Planalto para manter a presidência e a relatoria nas mãos de aliados, o líder do governo recusou-se a alimentar o confronto.Enquanto isso, deputados do PT que integram a tropa de choque governista trabalham nos bastidores para enterrar qualquer hipótese de CPI. O grupo faz de tudo para impedir a investigação e já se mobilizava para pressionar os colegas a retirar as assinaturas antes da leitura do novo requerimento.O movimento é coordenado pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que chegou a ser sondado para ser relator da CPI. Apesar das evidências da articulação, ele desconversa: "Minhas energias estão voltadas para a comissão especial que definirá o rito de tramitação das medidas provisórias."Os petistas que integram o núcleo anti-CPI aproveitam o impasse em que se transformou a abertura da comissão para embaralhar ainda mais o jogo. Para isso, contam até mesmo com apoio de uma porção do PSDB que tenta poupar das investigações as famílias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

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