Oposição se reúne para 'traçar mapa' de votos contra CPMF

PSDB e DEM estão trabalhando para consolidar os votos para derrubar a aprovação do tributo no Senado

Cida Fontes, do Estadão

28 de novembro de 2007 | 13h25

As bancadas do PSDB e DEM no Senado se reúnem às 14h30 com dissidentes da base aliada para fazer um mapa dos votos contrários à prorrogação da CPMF até 2011. Os líderes do PSDB, Arthur Virgílio(AM), e do DEM, José Agripino(RN), estão trabalhando para consolidar os votos para derrubar a CPMF.   Nesta tarde,  será realizada a segunda das cinco sessões destinadas à discussão da proposta de emenda constitucional da CPMF.  Ao chegar ao Senado, o presidente interino Tião Viana (PT-AC), informou que vai convocar sessões deliberativas para as segundas e sextas-feiras da casa até o dia 22, quando começa o recesso parlamentar. O objetivo da realização de sessões nesses dois dias é garantir o cumprimento dos prazos regimentais para a tramitação da emenda.   Veja também:    Entenda a cobrança da CPMF   Para evitar derrota da CPMF, governo monta 'sala de situação'  PTB condena 3º mandato, mas libera senadores para CPMF  Lula só discute Minas e Energia após negociação sobre CPMF   "Isso dará uma margem de segurança para votarmos a matéria no presente exercício legislativo. Essa é uma prerrogativa do presidente do Senado. Eu entendo que, assim, os prazos estarão mais bem aproveitados e, pelo que se observa no comportamento da oposição, ela não terá nenhuma restrição quanto ao bom cumprimento dos prazos regimentais", disse Viana.   Indagado se, com essa medida, as férias e o Natal não seriam prejudicados, Viana falou que "o que importa é que uma matéria dessa importância (CPMF) seja tratada com a devida transferência do poder de decisão ao Senado, e que ela seja votada com a mais absoluta liberdade, exercendo suas convicções a base do governo, que quer a sua aprovação, e a oposição, que está dizendo que não quer a aprovação da matéria".   Perguntado sobre a utilização de barganhas por parte do governo para convencer senadores resistentes a votarem pela prorrogação da CPMF, o presidente interino do Senado falou especificamente do caso do senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC). O parlamentar acreano se disse vítima de assédio por parte de um funcionário do Palácio do Planalto, que teria lhe oferecido a liberação de emendas ao Orçamento em troca do voto favorável a esse tributo.   "Determinei ao corregedor, senador Romeu Tuma (PTB-SP), que não deixe qualquer dúvida sobre esse assunto. Ele já procurou o senador citado no suposto assédio moral e já está tratando disso, com absoluta isenção e imparcialidade, procurando todo o esclarecimento necessário para assegurar que a Casa trabalhe com inteira liberdade", afirmou.   Sobre a hipótese de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocar o Congresso para votar a CPMF no recesso, conforme informou o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), Tião desconsiderou essa necessidade. "Não sei se há necessidade de convocação. A minha impressão é a de que não há. Continuo insistindo que, nesse exercício legislativo, é possível votar a CPMF".  

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