Oposição se reúne para avaliar CPI da Corrupção

Convencidas de que será cada vez mais difícil para o Palácio do Planalto reverter assinaturas governistas e esvaziar a chamada CPI da Corrupção, as lideranças dos partidos de esquerda ainda estão divididas sobre o melhor momento de formalizar o pedido junto à Mesa do Congresso. Para setores da oposição, a melhor estratégia é aguardar os desdobramentos do escândalo da violação do painel do Senado, que atingirá sua mais alta temperatura esta semana. Para outros segmentos, contudo, adiar o pedido de CPI é perigoso por criar uma certa decepção junto à opinião pública e dar motivo para eventuais críticas.Esse será o principal tema de reunião marcada para amanhã, às 15 horas na Câmara, quando deputados e senadores de esquerda discutirão o rito de criação da chamada CPI da Corrupção. Durante o encontro, eles farão uma recontagem do número de assinaturas e tentarão definir o melhor momento para formalizar o pedido de investigação das denúncias de irregularidades contra o Palácio do Planalto. "Se tivermos número, entregamos hoje", disse o líder do bloco de oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE)."Podemos esperar o resultado da acareação e deixar para mais tarde", admite o líder do PT na Câmara, deputado Walter Pinheiro (BA). "A orientação é apresentar já", discorda o líder do PDT, deputado Miro Teixeira (RJ). Pelos cálculos da oposição, conquistadas 185 assinaturas - 14 nomes mais que o exigido pelo regimento interno da Câmara - não haverá margem para o governo frear a instalação da CPI. Até agora, diz um parlamentar da esquerda, já estão contabilizados 180 nomes e a expectativa é que a lista engorde mais um pouco esta semana. Lideranças de esquerda aproveitaram o final de semana e o feriado para pressionar políticos que ainda não haviam endossado o requerimento.Walter Pinheiro é um dos que enxergam na acareação entre a ex-diretora do Prodasen Regina Célia Peres Borges e os senadores Antonio Carlos Magalhães (PGFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF), marcada pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, bom combustível para a conquista de mais assinaturas para o pedido de CPI. "O escândalo no Senado favoreceu a criação da CPI", insiste. Ele poderá ser voz vencida no encontro de hoje. "Corre-se o risco de criar confusão, pois há uma expectativa da sociedade e de quem assinou", rebate Teixeira. "Temos que apresentar logo e conferir as assinaturas", acrescenta. "O caso do Senado não trará nenhum impacto", concorda Dutra.Os articuladores da CPI da Corrupção descartaram ontem qualquer possibilidade de uma negociação com o Planalto em torno dos focos de apuração. Segundo eles, essa triagem é natural e caberá à própria comissão. "Não negociamos itens porque, senão, teríamos de tornar viável outro requerimento", justifica o líder do PT. "Não há como negociar temas, o requerimento é uma peça única e não estamos autorizados nem a tirar, nem a incluir nada", endossou Miro Teixeira.Para os articuladores da CPI da Corrupção, as informações de que a oposição estaria disposta a negociar pontos de investigação seria uma manobra governista para forçar um novo requerimento, admitida de boa-fé por parlamentares de esquerda. Depois de instalada, dizem, a própria comissão fará uma avaliação das denúncias que merecem prioridade e que possam ser aprofundadas. O Palácio do Planalto continua observando os passos da oposição antes de tomar novas medidas. "Não sei de onde saiu essa história de negociação", diz um interlocutor do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não há nada para negociar"."Vamos esperar o requerimento. Agora, está na mão da oposição", avisa o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). A única coisa certa é que o governo continuará insistindo na tese da inconstitucionalidade do requerimento, que pede a investigação de dezenas de denúncias. "Varal não tem respaldo na Constituição", insiste Madeira.

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