Oposição se diz 'traída' com medidas para compensar CPMF

Líderes oposicionistas prometem endurecer contra o Planalto e impedir aprovação do Orçamento 2008

Eugênia Lopes e Cida Fontes, da Agência Estado,

02 Janeiro 2008 | 19h17

Líderes de partidos de oposição afirmaram nesta quarta-feira, 2, que o governo os traiu ao anunciar pacote com aumento de impostos para compensar a perda de arrecadação com o fim da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Os oposicionistas prometem endurecer contra o Palácio do Planalto e liderar uma "batalha campal" para impedir a aprovação da proposta orçamentária deste ano, prevista para ser votada em fevereiro, quando o Congresso Nacional volta do recesso parlamentar. Veja também:Governo põe IOF no lugar de CPMF e anuncia corte de R$ 20 bi "Nos sentimos traídos", resumiu o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), momentos depois do anúncio com o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro. "Me sinto traído. Houve rompimento do acordo feito com a oposição", emendou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgilio Neto (AM). Em dezembro, quando a CPMF foi derrubada no Senado, a oposição concordou em aprovar a Desvinculação das Receitas da União (DRU), desde que o governo se comprometesse a não baixar nenhum pacote que implicasse no aumento da carga tributária para compensar o fim do "imposto do cheque". "É um governo com sua habitual gulodice fiscal", disse Agripino Maia. Em sua avaliação, o aumento de IOF e da CSLL acabará se refletindo sobre o setor produtivo. "É claro que isso vai encarecer a produção", afirmou o democrata.  "O governo não chamou ninguém para conversar sobre essas medidas. É uma mentira que precisa de dinheiro para compensar a CPMF. Queremos corte de gastos e não aumento de impostos. Uma das bandeiras da oposição será baixar a Cofins para desonerar a folha salarial das empresas. Não vamos compactuar com aumento de carga tributária", argumentou o tucano Arthur Virgilio. Aliados Já os líderes de partidos aliados comemoraram as medidas adotadas pela equipe econômica para compensar a perda de R$ 40 bilhões de arrecadação com o fim do imposto do cheque. "Foram medidas equilibradas", disse o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES).  "É um mal menor", resumiu o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), ao comentar o pacote do governo. Em sua avaliação, as medidas adotadas não atingem a população mais carente. "Esse aumento de imposto atinge o setor financeiro que foi o mais beneficiado nos últimos anos. O governo apertou o cinto onde tinha de apertar", disse Henrique. O socialista Casagrande também argumentou que o aumento da alíquota de 9% para 15% da CSLL para o setor financeiro vai atingir o lucro dos bancos. "Os bancos vêm tendo um lucro exagerado", disse. E aproveitou para criticar a oposição que reclamou das medidas anunciadas ontem pelo governo. "A oposição quando estava no poder só aumentou a carga tributária. Não cortou despesas, como está fazendo agora o atual governo", observou.

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