Oposição se debate nos escombros da CPI

A edição de hoje do Diário do Congresso Nacional publicará requerimentos relativos à CPI da Corrupção. O principal, contendo as assinaturas de 182 deputados e 29 senadores, e os outros com as respectivas desistências de 20 deputados. Isso faz com que a CPI não tenha apoio suficiente para ser criada. Para o governo, estará encerrada a guerra contra a CPI. Para a oposição, ainda não. De acordo com o secretário-geral do Senado, Raimundo Carreiro, o Diário do Congresso não terá nenhuma referência ao arquivamento da CPI. Portanto, o presidente do Congresso, Jader Barbalho (PMDB-PA), ainda terá que "rezar a missa de corpo presente", pronunciando-se sobre o destino do requerimento. Ele já declarou que decidirá pelo arquivamento, o que implicaria na impossibilidade de se apresentar nova proposta de CPI nos mesmos termos. E líderes da oposição já avisaram que vão recorrer da decisão. Com base no artigo 244 do Regimento Interno do Senado - usado subsidiariamente quando o Regimento Comum às duas Casas do Congresso é omisso -, os oposicionistas exigirão a devolução do requerimento ao primeiro proponente - no caso, o líder da oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE). Haverá uma batalha regimental, da qual dificilmente a oposição sairá vitoriosa - dada a disposição demonstrada pelos líderes situacionistas nas últimas 48 horas. Mas, tudo indica que poderá ser armado um derradeiro palco, no qual os oposicionistas tentarão impor mais desgastes ao governo e constrangimentos aos ex-dissidentes governistas persuadidos a retirar o apoio à CPI na última hora. Aos líderes situacionistas caberá a tarefa de virar a página, tentando reaglutinar sua base de sustentação política. Os deputados que mudaram de opinião sobre a CPI da corrupção - sobretudo do PFL carlista, do PMDB paulista e do PL - esperam compensações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.