Oposição retoma coleta de assinaturas para abrir CPI sobre o governo Yeda

Os deputados estaduais opositores da governadora Yeda Crusius (PSDB) iniciaram ontem novas articulações para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O objetivo é investigar supostas práticas de caixa dois e desvio de recursos na campanha tucana ao Palácio Piratini, em 2006, que foram relatadas em reportagem publicada na revista Veja desta semana.Em plena tarde de domingo de Dia das Mães, os dez integrantes da bancada petista se reuniram numa sala reservada do Legislativo para estudar meios de coletar as 19 assinaturas necessárias. O deputado Raul Pont (PT) já fala até em processo de impeachment. "O diretor de uma das empresas fumageiras admitiu ter doado R$ 200 mil para a campanha de Yeda e apresentou até recibo. Como isso não está registrado no Tribunal Regional Eleitoral, configura crime eleitoral. O governador do Maranhão perdeu o mandato por muito menos", disse Pont, ao comparar o caso de Yeda Crusius com o do recém-cassado Jackson Lago (PDT).O PT já tentava emplacar a CPI antes mesmo do alvoroço causado pela reportagem, que detalhou o conteúdo de supostas gravações feitas pelo lobista Lair Ferst, réu por fraude no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), durante conversas com Marcelo Cavalcante, ex-representante do governo Yeda em Brasília, encontrado morto em 17 de fevereiro no Lago Paranoá, na capital federal. Os dois arrecadaram recursos para a campanha tucana ao Piratini. As gravações, que teriam sido entregues por Ferst ao Ministério Público Federal, trariam afirmações comprometedoras de Cavalcante. Numa delas, ele teria dito, segundo a revista, que repassou a Carlos Crusius, ex-marido da governadora, a quantia de R$ 400 mil. O dinheiro, angariado junto a duas indústrias de fumo, teria sido utilizado para quitar a casa comprada pelo casal em bairro nobre de Porto Alegre.Até semana passada, apenas 14 assinaturas das 19 necessárias para a CPI haviam sido contabilizadas. Agora, a estratégia é buscar adeptos em outras três siglas. "O PC do B e o PSB já tinham assumido compromisso conosco. Esperamos contar também com o PDT", afirmou Pont. A oposição também não descarta a possibilidade de conseguir apoio do DEM, partido de Paulo Feijó, vice-governador do Estado e desafeto de Yeda Crusius. A bancada é composta por três deputados e, conforme a expectativa da oposição, pelo menos um deles poderá se engajar ao movimento.O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Estado (OAB-RS), Cláudio Lamachia, vai solicitar a revelação do conteúdo das gravações que estariam em poder do Ministério Público Federal.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.