Oposição recusa proposta de liberar isentos do IR da CPMF

PSDB e DEM não aceitam idéia do líder do governo no Senado de isenção para salários de até R$ 1,7 mil

CIDA FONTES E CHRISTIANE SAMARCO, Agencia Estado

17 de outubro de 2007 | 19h00

O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), rebateu a idéia do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), de liberar da cobrança de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) as movimentações financeiras das pessoas isentas de Imposto de Renda. "Isso é uma bobagem. É bombom para enganar menino", reagiu o tucano. "Não venham oferecer migalhas", emendou o líder do DEM, senador José Agripino (RN).  Veja também: CPMF: entenda o 'imposto do imposto' e veja gráfico  Dê sua opinião sobre a CPMF   Ligar fim da CPMF à inflação não é ameaça, diz Alencar Fracassa blitz do governo para tentar acelerar CPMF no Senado DEM pode expulsar quem votar a favor da CPMF Se CPMF voltar, Câmara dificultará aprovação, diz ChinagliaLula cobra lealdade da base no Senado para prorrogar CPMFGoverno estuda isentar CPMF de quem ganha até R$ 1,2 mil  O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), informou que, na reunião do representantes do governo com os líderes da Casa nesta quarta-feira, 17, foi levantada a hipótese de estender a isenção da CPMF para quem ganha salário até R$ 1,7 mil. Após a reunião, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, afirmou que o governo também aceita negociar a isenção da CPMF para quem ganha até R$ 1,2 mil.  "Essa medida tiraria milhões de contribuintes, que juntos representam menos de 2,5% da arrecadação do tributo", disse o ministro, afirmando que essa idéia é tecnicamente viável para a implementação pela Receita Federal.  O senador José Sarney (PMDB-AP) ainda tentou melhorar a proposta de Jucá, elevando o valor de R$ 1.780,00 - o teto de isenção de Imposto de Renda - para R$ 2.000,00. Isso, segundo ele, teria um alcance maior e não daria muitos prejuízos ao governo. Mesmo assim a proposta não agradou a oposição, sobretudo o DEM, que continua firme na posição de votar contra a prorrogação. A estratégia do governo é buscar no PSDB a falta de votos em sua base partidária. Segundo Raupp, se essa proposta for aceita pelo governo, a bancada do PMDB em peso votará a favor da prorrogação do tributo. "Creio que apenas um senador votaria contra", disse, sem mencionar quem seria. Para convencer a oposição a encurtar os prazos de tramitação da emenda, o governo vai recorrer ao passado. A senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) vai argumentar que na prorrogação da CPMF feita no governo do PSDB, o PT votou contra mas não impediu um acordo político para reduzir prazos de tramitação.  60 % da população Inicialmente, a discussão estava focada no projeto de Raupp, que isenta a CPMF de quem ganha até R$ 1,2 mil. Mas, na reunião, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), propôs estender para R$ 1,7 mil. Ainda de acordo com Raupp, se a proposta for aceita, 60% da população deixaria de pagar CPMF. A idéia é que sejam beneficiadas as pessoas com apenas duas contas bancárias - uma conta corrente e uma poupança. Raupp explicou que o governo foi receptivo à idéia, mas ainda não deu sinal verde.  Mares Guia informou ainda que o governo terá uma comissão de ministros que negociará com uma comissão de senadores as possíveis desonerações tributárias que viabilizem a aprovação no Senado, conforme o texto já aprovado na Câmara. Ainda de acordo com Aloizio Mercadante (PT-SP), na reunião, ganhou força a proposta de isentar da CPMF de quem ganha até R$ 1,2 mil, mas também foram mencionadas possibilidades de desoneração de investimentos e da folha de pagamento.  Mercadante disse que propostas nesse sentido podem tramitar paralelamente à PEC que prorroga a CPMF até 2011. E afirmou que o clima político está favorável para que a proposta seja aprovada sem modificações, mas já considerando contrapartidas de desonerações tributárias.  

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