Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP

Oposição recebe Raoni; líder do governo se reúne com ‘indígena do século 21’

PT, PSB, PCdoB e PSOL levam cacique para encontro com Rodrigo Maia; Major Vítor Hugo se encontra com Ysani Kalapalo, do Xingu, que esteve com o Bolsonaro na ONU

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2019 | 18h17

BRASÍLIA – Um dia após o discurso de Bolsonaro na ONU, líderes indígenas, representantes de grupos opostos, foram recebidos pela Câmara. Deputados da oposição levaram o cacique Raoni, indicado ao prêmio Nobel da Paz, para um encontro com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Já o líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), recebeu Ysani Kalapalo, do Xingu, que esteve com o presidente em Nova York.

No dia anterior, Bolsonaro fez críticas ao cacique. “Acabou o monopólio do senhor Raoni”, disse ao argumentar que Ysani teria poder de representatividade dos povos indígenas por ter sido endossada em carta do Grupo dos Agricultores Indígenas do Brasil, assinada por 52 etnias.

No Congresso, o líder da etnia caiapó rebateu o presidente da República. “O Bolsonaro falou que eu não sou uma liderança, mas é ele quem não é uma liderança e tem de sair”, disse Raoni. A fala dele foi traduzida pela sua neta Maial Kaiopó e ele foi acompanhado por líderes do PT, PSB, PCdoB e PSOL.

Segundo Bolsonaro, o cacique é “peça de manobra” de governos estrangeiros. “Infelizmente, algumas pessoas, de dentro e de fora do Brasil, apoiadas em ONGs, teimam em tratar e manter nossos índios como verdadeiros homens das cavernas”, disse Bolsonaro na ONU.

Molon diz que Raoni é ‘motivo de orgulho no mundo’

A visita do cacique foi um símbolo do repúdio da oposição ao discurso de Bolsonaro. “Essa é a mais clara demonstração de que o Congresso pensa exatamente o contrário do que disse o presidente da República. O cacique Raoni é motivo de orgulho no mundo inteiro e para todos nós”, afirmou o líder da oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ).

Ysani, por sua vez, defendeu Bolsonaro e sua participação no fórum. “Aceitei esse convite de Bolsonaro para acompanha-lo na ONU e também para mostrar a verdade, outro lado que muitos ainda não conhecem que são os povos indígenas do século 21”, disse.

A representante disse que existem “falsos líderes” e que os índios têm o direito de querer sua independência financeira. Ela afirmou ainda que, após sua participação na ONU, está sendo ameaçada de morte e que já entrou em contato com autoridades sobre o caso.

Raoni ficou conhecido internacionalmente no fim dos anos 1980, quando participou de entrevistas ao lado do músico inglês Sting, durante a turnê Humans Right Now! Já Ysani ficou conhecida mais recentemente, principalmente, pelos vídeos que produz e divulga na internet.

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