Oposição rebate Lula e acusa ´baixo nível´ do governo

Líderes de partidos de oposição na Câmara e no Senado devolveram as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seus adversários no Congresso, feitas na terça-feira em sua passagem por Salvador. O que mais irritou a oposição na fala presidencial foi a afirmação de que as críticas contra Palocci são de baixo nível."É baixo nível quebrar sigilo do caseiro para desqualificar a denúnciacontra Palocci? É baixo nível desqualificar os irmãos de Celso Danielque, por medo de morrer, deixam o País?", indagou o líder do PFL noSenado, José Agripino (RN)."Para o PT, bom nível deve ser esconder as contas de Paulo Okamoto debaixo do tapete", completou o pefelista, em uma referência ao presidente do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), que admitiu ter pago uma dívida do presidente e contas pessoais de sua filha Lurian."De baixo nível mesmo são as atividades do ministro Palocci naquelacasa do Lago Sul", reagiu o vice-líder tucano, deputado Alberto Goldman(SP), referindo-se à mansão em que o caseiro Francenildo da Costa afirmater testemunhado assessores e amigos do ministro dividindo dinheiro."Eu raramente concordo com o presidente, mas devo admitir que ascríticas têm o mesmo nível baixíssimo do ministro e da República deRibeirão Preto", emendou o vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô(PFL-AL).OrçamentoO presidente Lula também fez reparos à oposição, por não ter votadoaté agora o Orçamento deste ano. "Lamentavelmente, a maior desgraça doser humano é a inveja. Não conseguiram fazer e não querem permitir quea gente faça", disse Lula. Informados das críticas, até representantesdos partidos da base aliada na Comissão de Orçamento protestaram contraàs críticas do presidente no plenário.O deputado Ricardo Barros (PP-PR) salientou que, na terça-feira, foramos governistas quem deixaram a comissão, abandonando os trabalhos. "Aoposição fez a proposta de votar o relatório (elaborado pelo relatorpetista Carlito Merrs) tal como estava e nem assim o governo aceitou",indignou-se Barros."Passamos o dia todo querendo votar e a base do governo obstruindo a votação e descumprindo todos os acordos", reclamou do microfone de apartes o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM)."O presidente não está mais agindo com qualquer grau de equilíbrio",atacou Goldman, para quem as coisas não andam no Brasil e no Congresso,apesar de o Planalto ter maioria congressual, por incompetência dogoverno. "As bancadas governistas só trabalham mediante retribuição.Junta a mediocridade do governo com a falta de retribuição, dá nisso",disse o tucano.O líder Agripino foi ainda mais explícito. "Orçamento sem mensalão éisto. Se não foi aprovado até agora, é porque este governo é movido amensalão. Faltou mensalão, não consegue aprovar mais nada".

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