Oposição reage e Renan será alvo de quinto processo no Senado

PSDB e DEM querem apurar denúncia de que senador tentou montar dossiê para intimidar adversários

Ana Paula Scinocca e Expedito Filho, do Estadão,

08 Outubro 2007 | 19h54

O PSDB e o DEM vão entrar com mais uma representação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PSDB-AL), nesta terça-feira, 9. Será o quinto pedido de investigação envolvendo o peemedebista por quebra de decoro. Os dois partidos pedem que sejam apuradas as denúncias de que Renan tentou montar um dossiê, recorrendo a arapongagem, para chantagear os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).   Veja Também:    Em nota, Renan nega espionagem contra senadores da oposição Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Assessor de Renan nega esquema espionagem contra senadores  Renan está levando Senado 'à sarjeta', diz Jarbas   "Do jeito que está, não dá mais. Vamos pedir imediata indicação de relator. O Senado virou o centro de patifaria e canalhice, não dá mais", afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). "Vamos dar direito de defesa a Renan, mas dificilmente os argumentos que ele vai apresentar serão suficientes", acrescentou o líder dos Democratas, senador José Agripino Maia (RN). Agripino havia dito antes que esperaria até esta terça para decidir pela representação, mas mudou de idéia no início da noite após conversar com Demóstenes e com Tasso.   "Se o que o Renan está negando, e diz não ter nada a ver com isso, ele tem de mostrar e, no mínimo, demitir o funcionário (Francisco Escórcio)", afirmou Demóstenes, um dos alvos do dossiê. Renan é acusado de ter usado Escórcio, seu assessor especial, para espionar os dois senadores goianos. Demóstenes confirmou que ficou sabendo da espionagem por Pedrinho Abrão, empresário e ex-deputado por Goiás.   Demóstenes contou que esteve reunido com Abrão no dia 28 de setembro e, na ocasião, o empresário contou que havia sido procurado por Escórcio, que lhe pediu ajuda para instalar câmeras em um hangar do Aeroporto de Goiânia com o objetivo de flagrar a suposta utilização de jatinhos de empreiteiras pelos senadores.   Os dois partidos também decidiram pedir reunião de urgência da Mesa Diretora, que é quem aceita ou rejeita os pedidos de investigação contra parlamentares. PSDB e DEM também vão solicitar a convocação imediata do Conselho de Ética.   Também para esta terça-feira é esperado o anúncio pelo presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), do relator da terceira representação contra Renan, na qual ele é acusado de ter comprado duas rádios e um jornal utilizando "laranjas" em sociedade com o usineiro João Lyra.   A terceira representação é a considerada a mais espinhosa por ser a mais documentada. O relator da quarta representação, que trata da suposta coleta de propina em ministérios chefiados pelo PMDB, foi escolhido na semana passada e é o aliado de Renan, o senador Almeida Lima (PMDB-SE).   'Caça às bruxas'   Renan também é acusado de promover uma verdadeira "caça às bruxas" no Senado, o que ele nega. Na última semana, o senador comandou uma operação para destituir da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) seus dois principais opositores. Os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS) foram afastados da CCJ na sexta-feira pelo líder peemedebista no Senado, Valdir Raupp (RO), a mando de Renan.   Em reação, um grupo de senadores de vários partidos estuda uma maneira de restituir os dois senadores à CCJ. Nesta segunda-feira, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia(RN) se reuniu com Jarbas Vasconcelos e o petista Aloizio Mercadante (PT-SP) para discutir a questão.   Jarbas relatou aos dois colegas que já recebeu manifestação de solidariedade pessoal de sete dos 19 senadores peemedebistas. Caso mais um senador da bancada do PMDB se manifeste contra o afastamento de Jarbas e Simon, o líder Valdir Raupp, ficará desautorizado.   A idéia é aguardar mais um pouco a espera da consolidação da maioria em favor de Jarbas e Simon dentro do PMDB para rever o afastamento. Tanto Mercadante quanto Agripino manifestaram a disposição de apoiar essa maioria peemedebista na tentativa de recompor o clima de normalidade dentro da CCJ.   (Com Christiane Samarco e Cida Fontes, do Estadão)        

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