Oposição reage à possibilidade de controle de CPI pelo governo

Decisão de não negociar esses cargos teria sido tomada em reunião de Renan Calheiros com o presidente Lula

Agência Brasil

26 de maio de 2009 | 12h52

A oposição já reage à informação de que teria sido preterida na composição dos cargos de direção - relatoria e presidência - da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. A decisão de não negociar esses cargos teria sido tomada na segunda-feira, na reunião do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pré-acordo foi costurado pelo PMDB e PTB com o Democratas (DEM) e, por ele, caberia ao senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) a presidência da comissão.

 

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O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), evita comentar o assunto antes de uma conversa com Renan Calheiros. "Se eles tinham uma posição tomada terão que dizer. O PTB e o PMDB tinham a intenção anunciada (de ceder a presidência ao DEM) e terão que dizer e não vai ser pela imprensa", disse José Agripino à Agência Brasil.

 

O líder democrata acrescentou que conversará com Renan Calheiros ainda nesta terça-feira. O DEM e o PSDB também devem ter uma reunião à tarde. O líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM), passou o fim de semana em Manaus e deve chegar a Brasília por volta do meio-dia.

 

Já no PSDB a reação foi mais incisiva. O presidente do partido, Sérgio Guerra (PE), avalia que controlar os cargos da CPI é uma "decisão radical do governo de não investigar nada". Sérgio Guerra disse ainda que não participou de qualquer conversa com os peemedebistas e petebistas para negociar a partilha da direção.

 

Entretanto, os tucanos reivindicavam que o autor do requerimento de criação da CPI, senador Álvaro Dias (PR), fosse indicado para presidir a comissão. "Não falei com o Renan e não vou conversar", afirmou Guerra, ao ser questionado se, assim como José Agripino, procuraria o líder do PMDB para tratar do assunto. "Esse é um problema do governo", completou.

 

Para o presidente do PSDB, mesmo com minoria de três senadores contra oito governistas, "os próprios fatos" objeto da comissão obrigarão uma investigação sobre as supostas irregularidades na Petrobras.

 

"Os fatos vão mostrar que nossa previsão está certa. Primeiro, que há muito o que se investigar (na Petrobras) e, segundo, que o governo federal está com receio da investigação e isso não tem nada a ver com as ações da Petrobras", disse o senador tucano.

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