Oposição reage a devassa na conta do caseiro

Um dia depois de ser impedido pela Justiça de completar seu depoimento na CPI dos Bingos porque supostamente iria expor a intimidade do ministro Antônio Palocci, o caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, viu sua conta bancária ser devassada. Segundo reportagem divulgada ontem pelo site da revista Época, o caseiro recebeu, em conta da Caixa Econômica Federal, R$ 38,8 mil de Eurípedes Soares da Silva, empresário de ônibus em Teresina.A "descoberta" colocaria em xeque o depoimento de Nildo, que afirmou ao Estado ter visto Palocci visitar na mansão de Brasília onde ex-assessores do ministro partilhavam dinheiro e faziam festas. Mas as explicações do caseiro e da mãe dele, Benta Maria dos Santos Costa, mostram que os extratos bancários revelam um drama familiar - e não um complô político para prejudicar o governo.Empresário é o paiNildo afirmou que o empresário Eurípedes é, na verdade, seu pai. O caseiro explicou que Eurípedes nunca o reconheceu como filho, mas fez um acordo financeiro para ajudá-lo. Eurípedes confirmou os depósitos, mas negou ser pai dele. O caseiro contou ter procurado o pai em dezembro, para ser devidamente registrado como filho. O caseiro disse que o pai não quis reconhecê-lo como filho, mas aceitou fazer o acordo financeiro e discutir o assunto depois. Em entrevista ao Estado por telefone, a mãe do caseiro confirmou a versão.Nildo mostrou aos jornalistas sua carteira de identidade, em que não aparece registro do nome do pai. O caseiro afirmou que em sua cidade natal, Nazária (PI), todos reconhecem a semelhança física entre eles. Também contestou a versão de que recebera R$ 38,8 mil. Mostrou comprovantes bancários que atestam depósitos no total de R$ 24.990,00 e se queixou da quebra de seu sigilo bancário: "Por que fizeram isso comigo? Por que não fizeram com o ?chefe? (Palocci, como era chamado pela turma da República de Ribeirão Preto)?"Quebra se sigiloA desconfiança de que o governo tenha quebrado o sigilo bancário do caseiro para tentar desqualificá-lo foi levantada por parlamentares de oposição logo depois que a reportagem foi da revista foi divulgada pela internet. "Esse governo consegue liminar para proteger os direitos sexuais do Palocci e seus esquemas de corrupção e invade os direitos individuais de um rapaz", completou a senador Heloísa Helena (PSOL-AL)."É uma ação de perversidade e desespero, contra um trabalhador humilde que está prestando um serviço ao País", criticou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), foi na mesma linha. "Esse pessoal está se perdendo mesmo, entrando num beco sem saída. Há meses que a CPI tenta quebrar o sigilo de Paulo Okamotto e não consegue. Estamos diante de um estado policialesco", atacou.

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