Oposição quer suspeito de vazar dossiê na CPI dos Cartões

Vic Pires, deputado do DEM, apresentará requerimento para convocar secretário da Casa Civil aliado de Dirceu

Sônia Filgueiras e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

09 de maio de 2008 | 08h38

A revelação de que o secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, é o principal suspeito de ter propiciado o vazamento do dossiê sobre gastos do ex-presidente  Fernando Henrique Cardoso  deu novo alento à CPI dos Cartões - que depois do depoimento da ministra Dilma Rousseff era dada como moribunda por seus próprios integrantes. A oposição já se mobiliza para tentar convocar José Aparecido para depor. "Vou reapresentar o requerimento de convocação dele. Ele tem de explicar quem participou da elaboração do dossiê", afirmou o deputado Vic Pires (DEM-PA), integrante da comissão. A Polícia Federal disse que vai convocá-lo para depor sobre o caso.   Aparecido é funcionário de carreira do Tribunal de Contas da União (TCU) e foi levado para a Casa Civil pelo ex-titular da pasta, José Dirceu. No dia 11 do mês passado, reportagem do Estado intitulada "Vazamento de dossiê contra FHC abre guerra dentro da Casa Civil" mostrou que havia ali uma disputa entre o grupo de Dirceu e de Dilma. Uma troca de e-mails entre Aparecido e um funcionário do gabinete do Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi o elemento-chave para rastrear o caminho dos documentos com os gastos do ex-presidente.   Veja também: Veja o dossiê com dados do ex-presidente FHC  Lula diz que Dilma foi 'motivo de orgulho' na sabatina Com depoimento de Dilma, CPI chega ao fim, diz Garibaldi Enquete: Na sua opinião, a ministra Dilma saiu fortalecida da sabatina no Senado Entenda a crise dos cartões corporativos  Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição Ministra se exalta ao responder a provocações Pires também apresentará um requerimento propondo a prorrogação dos trabalhos da CPI até que o inquérito da Polícia Federal que investiga o dossiê seja concluído. Ele disse que já iniciou articulações para tentar provocar uma reunião da comissão na terça-feira a fim de apreciar os requerimentos. Para ele, o vazamento do dossiê seria parte de uma briga palaciana interna. "Ele (José Aparecido) é ligado ao José Dirceu. Acredito que vazou o dossiê para atingir a ministra Dilma Rousseff", diz. Agora, a oposição pretende retomar a investigação da cadeia de comando por trás do dossiê, saber que autoridade ordenou a montagem da planilha com gastos de Fernando Henrique e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. O "fato novo" era o que o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), colocava como condição para continuidade dos trabalhos. "Se não houver nenhum fato novo, nós diríamos que a CPI pode marchar para sua conclusão", dizia Garibaldi, antes da identificação do suposto responsável pelo vazamento do dossiê. Àquela altura nem DEM nem PSDB mostravam ânimo para manter a ofensiva. "Para entrar em uma CPI a gente tem de saber o que quer investigar", argumentava o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), observando que a comissão trouxe "desgaste para o Congresso". Setores do DEM também avaliavam que o depoimento de Dilma tinha sepultado a comissão.   Inquérito da PF   O inquérito da PF para apurar responsabilidades pela confecção do dossiê e seu vazamento foi aberto em 7 de abril. Pouco depois a Casa Civil abriu sindicância com o mesmo fim. Nesta quinta-feira, a 12ª Vara da Justiça Federal prorrogou por mais 30 dias o prazo para conclusão do inquérito. A oposição acusa o governo Lula de ter feito o dossiê como instrumento de chantagem política para impedir as investigações sobre gastos irregulares com cartões corporativos. O inquérito corre em segredo de Justiça.   Com auxílio de técnicos do Instituto Nacional de Criminalística (INC), a PF realizou perícia em 13 computadores usados na digitalização dos gastos. A lista dos intimados para depor na nova fase inclui, além de Aparecido, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, que goza de plena confiança da ministra Dilma, o secretário de Administração, Norberto Temóteo Queiroz. Constam também os nomes do diretor de Orçamento e Finanças da pasta, Gilton Saback, Maltez e da funcionária Maria Soledad Castrillo.   A investigação da Casa Civil apontando o secretário de Controle Interno como o vazador do dossiê tira o escândalo da porta de Dilma. Motivo: a crise, a partir de agora, será jogada no colo de Dirceu por ter levado Aparecido para o Palácio do Planalto. A solução indicando a culpa do secretário de Controle Interno da Casa Civil já era comentada no Planalto desde abril.    Aparecido era analista do TCU e começou a trabalhar na Casa Civil ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, indicado por Dirceu. Em conversas reservadas, o ex-ministro disse que o auxiliar sempre foi fiel e excelente funcionário. A amigos, Dirceu afirmou não acreditar na culpa de José Aparecido.

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