Oposição quer responsabilizar Lula

Para senador, não se pode isentá-lo em episódios como o do grampo

Eduardo Kattah, Cida Fontes, Evandro Fadel, Elder Ogliari e Sandra Hahn, O Estadao de S.Paulo

02 de setembro de 2008 | 00h00

Durante todo o dia, políticos da oposição se mantiveram na ofensiva sobre o governo, exigindo punições para os envolvidos no episódio de escuta clandestina feita pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Em São Paulo, o governador José Serra (PSDB) classificou de "insulto à democracia" a escuta ilegal. "Grampear o presidente do STF e um senador é uma afronta às instituições republicanas. É preciso que o governo ponha um fim a esse verdadeiro ?poder paralelo? que começa a tomar forma, mediante investigações isentas urgentes, e punições exemplares aos agentes do Poder Executivo responsáveis por essas ações ilegais e clandestinas."Na mesma linha, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), sugeriu em Belo Horizonte que os três Poderes adotem "normas rígidas" para investigar e punir "exemplarmente aqueles que ultrapassaram suas responsabilidades" e violaram conversas telefônicas. "É preciso que, inclusive, os órgãos de inteligência, necessários à defesa do Estado de Direito, não se transformem em instrumentos de ataque, de atentado e de instabilidade ao Estado de Direito."Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), não é mais possível isentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de responsabilidade por esse tipo de episódio. "A Abin é órgão ligado à Presidência da República, o presidente é quem nomeia, portanto não há como isentá-lo de responsabilidade", afirmou Dias, em Curitiba. O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) foi mais longe. Em discurso na tribuna, em Brasília, defendeu o impeachment de Lula e a adoção do parlamentarismo no Brasil. Sob esse sistema, argumentou, seria possível ao Congresso demitir membros do governo envolvidos em escândalos sem precisar esperar a ação do presidente da República. Segundo Mozarildo, o presidente "nunca sabe de nada" nem demite os envolvidos nos "sucessivos escândalos". Em Porto Alegre, o deputado José Aníbal (SP) e o senador Arthur Virgílio (AM), ambos do PSDB, afirmaram que a espionagem de integrantes de altos escalões dos três Poderes remete à negação do Estado de Direito e reprisa as práticas do Serviço Nacional de Inteligência (SNI) do regime militar. "É preciso dar um basta nisso, deixar claro que o Brasil não pode conviver com as trevas e a chantagem decorrente da luta de grupos que suplanta a Constituição", disse Virgílio.

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