Oposição quer que Rebelo explique viagem a Cuba em avião da FAB

Ministro afirma em nota que sua mulher e seu filho foram convidados pelo governo cubano, mas nenhum dos dois representou o governo brasileiro

Tânia Monteiro , O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2013 | 20h33

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B), aproveitou viagem que fez a Cuba, em missão oficial, no Carnaval passado, para levar a mulher e o filho a bordo de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Em nota, Rebelo confirmou a viagem, mas disse que "não foi passear", e sim "trabalhar, como mostra a agenda".

A oposição criticou não só o uso de avião da FAB para viagens ao exterior, mas também a carona a familiares. Lembrou ainda que os voos ficariam muito mais baratos se fossem feitos em aeronaves comerciais.

O vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), disse que a Comissão de Ética da Presidência da República "tem de examinar este procedimento" que classificou como "injustificável". Ele pediu ainda a regulamentação rigorosa para o uso dos aviões da FAB e devolução aos cofres públicos do dinheiro referente à passagem dos familiares do ministro.

A notícia do uso de avião da FAB para Cuba transportando o ministro e familiares foi publicada pelo jornal Folha de São Paulo desta quarta-feira, 24.

Aldo Rebelo foi a Havana em missão oficial e teria justificado que sua mulher, Rita, e seu filho participaram da viagem porque teriam sido convidados também pelo governo cubano para participar das programações, mas nenhum dos dois representou o governo brasileiro.

O jato Legacy da FAB saiu de Brasília no sábado de Carnaval, dia 9 de fevereiro, fez escala em Boa Vista (RR), e só voltou ao Brasil na quarta-feira de cinzas, dia 13 de fevereiro.

O uso de aviões da FAB por autoridades em eventos particulares tem sido denunciado. Para tentar tentar reduzir o efeito negativo de seus atos,  alguns políticos devolveram recursos proporcionais aos cofres públicos.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), usou avião da FAB para levar a noiva e filhos de Natal ao Rio de Janeiro, para ver a final da Copa das Confederações. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pediu um jatinho da FAB para pegá-lo em Maceió para ir a uma festa na Bahia, justificando que estava indo cumprir agenda oficial. O ministro da Previdência, Garibaldi Alves, foi de avião da FAB de Fortaleza para o Rio também para assistir a um jogo da seleção brasileira.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) pediu "transparência" no uso de aviões da FAB. "É inaceitável o uso de bem público para fins privados", afirmou o senador, ressaltando que a Comissão de Ética tem de ouvir o ministro.

Para ele, "o mínimo que se espera é que o ministro Aldo devolva a quantia correspondente às passagens que deveriam ter sido pagas". Já o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), disse que "é preciso acabar de uma vez por todas com este uso indevido de aviões da FAB".

Em nota divulgada à imprensa, o ministro Aldo Rebelo listou todos os seus compromissos em Havana, justificando que foi recebido pelo vice-presidente do Conselho de Ministros da República de Cuba, Miguel Díaz, e pelo vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Rogerio Sierra, além de se reunir duas vezes com o presidente e diretores do Instituto Nacional de Esportes, Educação Física e Recreação (INDER) e com a direção da empresa Cubadeportes.

Além disso, acrescentou que visitou a Universidade das Ciências, Cultura Física e Deporte Manuel Fajardo. Ainda, de acordo com a nota do ministro, nestes encontros foi acertada a criação de grupos de trabalho e intercâmbio entre Brasil e Cuba para preparação dos atletas brasileiros e da infraestrutura esportiva do Brasil para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.

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