Oposição quer que Planalto indique corte

Líderes oposicionistas foram ao gabinete de Renan na tarde desta terça-feira, 1, pedir a devolução da proposta ao Executivo

Daniel Carvalho e Daiene Cardoso , O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2015 | 02h05

BRASÍLIA - Diante da negativa do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), em devolver ao governo a proposta orçamentária, a oposição tentará fazer o Planalto indicar, em um adendo ao projeto de lei, onde cortará gastos para reduzir a previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões. "O Congresso Nacional não vai fazer estes cortes", disse o líder da Minoria, Bruno Araújo (PSDB-PE).

Líderes oposicionistas foram ao gabinete de Renan na tarde desta terça-feira, 1, pedir a devolução da proposta ao Executivo. "Não é recomendável. Cabe ao governo propor alternativas para superação do déficit orçamentário. E o Orçamento vai tramitar no Congresso, então, não tem necessidade de devolver", disse o senador.

Diante da negativa, a oposição decidiu pedir o aditamento no qual o governo indicaria os cortes. Se isso tampouco for bem sucedido, os partidos contrários ao Planalto terão duas alternativas: indicar cortes severos na máquina pública ou votar contra o Orçamento, mesmo que isso signifique uma má sinalização para o mercado. Ainda não há consenso na oposição sobre qual seria a melhor estratégia a ser adotada.

O bloco passou o dia atacando o governo. Nas contas de DEM, PSDB e PPS, o déficit real pode chegar a R$ 115 bilhões em 2016.

"A gente insiste na tecla do realismo orçamentário. O quadro de desequilíbrio consagra uma situação para lá de crítica. A crise existe por causa da irresponsabilidade praticada pelo governo Dilma em busca da sua reeleição, que proporcionou um quadro de recessão, desemprego e inflação elevada. O governo tem obrigação de apontar caminhos na direção do reequilíbrio econômico-financeiro", disse o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).

"Temos um ministro do Planejamento que não planeja e um ministro da Fazenda que não arrecada. O governo que diga onde vai cortar", criticou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). "Se (o governo) não está cumprindo a sua obrigação, é porque desistiu do presidencialismo. Então que adotemos logo o parlamentarismo."

"Não podemos permitir essa afronta. É um absurdo que a presidente da República apresente uma proposta de orçamento com déficit estimado em mais de R$ 30 bilhões", disse o líder do SD, Arthur Oliveira Maia (BA).

Papel. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), minimizou os protestos dos oposicionistas. "Ela está no papel dela", afirmou.

Partidos da base governista vão elaborar propostas para aumentar as receitas do governo na intenção de reduzir o déficit. A maior parte das bancadas deve discutir o tema hoje.

Na avaliação do PT, cujos deputados reuniram-se nesta terça-feira, 1, com o ministro Nelson Barbosa (Planejamento), é impossível que o partido aceite cortar gastos sociais para equilibrar as contas do governo. A legenda deve intensificar a defesa da repatriação de ativos. Na conta dos petistas, a medida garantiria, "na pior expectativa", R$ 35 bilhões, mais que o déficit estimado.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.